A Inteligência Artificial não veio substituir o educador. Veio ampliar a aprendizagem (Setembro/2026)
Recentemente, participei, representando o Colégio Anchieta, do Summit IA na Educação. Foram dois dias
intensos de palestras, debates e reflexões sobre um tema que já faz parte da rotina da educação: a Inteligência Artificial.
Retornei ao colégio com uma convicção ainda maior: a questão não é mais se devemos utilizar IA na Educação, mas como podemos utilizá-la de forma cada vez mais qualificada, ética, segura, preditiva e alinhada ao nosso Projeto Pedagógico.
Ao longo dos anos, cada nova tecnologia despertou receios. Foi assim com a calculadora, com a internet e com os celulares. Agora, acontece o mesmo com a Inteligência Artificial. É natural que muitas pessoas se
perguntem: “Será que a IA substituirá os professores?”. A resposta que ouvi de diferentes especialistas foi praticamente unânime: não.
A IA pode organizar informações, identificar padrões, apoiar como ferramenta os processos de correção, analisar dados e contribuir para a personalização da aprendizagem. Entretanto, ela não estabelece vínculos.
Não percebe, por si só, quando um estudante está inseguro, não acolhe uma família e não inspira pelo exemplo.
Uma das palestras apresentou uma reflexão simples, mas profundamente significativa: “Quem influenciou você a ser quem é hoje?”
Provavelmente, a resposta não será um computador. Será um professor, uma mãe, um pai, um amigo ou alguém que acreditou em você e contribuiu para a sua formação.
É justamente essa dimensão que a Inteligência Artificial jamais conseguirá substituir. A escola do futuro continuará sendo um espaço de relações humanas. Nesse contexto, o educador deixa de ser visto apenas como transmissor ou detentor de conteúdos e assume um papel ainda mais relevante: orientar, mediar, provocar reflexões, desenvolver o pensamento crítico e ensinar os estudantes a formular boas perguntas.
No Colégio Anchieta, já vivenciamos experiências que apontam para esse caminho. A IA pode apoiar
processos, ampliar a capacidade de análise e contribuir para decisões pedagógicas mais qualificadas. Contudo, a validação deve permanecer humana, porque educar continua sendo um ato profundamente humano.
Talvez a maior transformação provocada pela IA não seja tecnológica. Ela nos convida a recordar aquilo que sempre foi essencial: aprender é uma experiência construída por pessoas, para pessoas.
Também não podemos ignorar que a aprendizagem exige processo. Há etapas que precisam ser vivenciadas, e não existem atalhos capazes de substituir o esforço, a investigação, o erro, a revisão e a construção do conhecimento.
Esse caminho não tem um ponto final. Continuaremos buscando aprimoramentos, inovação e novas
possibilidades, sem perder de vista aquilo que orienta nossa missão educativa: colocar o amor em serviço. Em outras palavras, como Santo Inácio nos ensinou: “Em tudo amar e servir.”
Por Márcia Silva, Analista de Tecnologia Educacional












