A Inteligência Artificial não veio substituir o educador. Veio ampliar a aprendizagem (Setembro/2026)

21/09/2026

Recentemente, participei, representando o Colégio Anchieta, do Summit IA na Educação. Foram dois dias 

intensos de palestras, debates e reflexões sobre um tema que já faz parte da rotina da educação: a Inteligência Artificial. 

Retornei ao colégio com uma convicção ainda maior: a questão não é mais se devemos utilizar IA na Educação, mas como podemos utilizá-la de forma cada vez mais qualificada, ética, segura, preditiva e alinhada ao nosso Projeto Pedagógico. 

Ao longo dos anos, cada nova tecnologia despertou receios. Foi assim com a calculadora, com a internet e com os celulares. Agora, acontece o mesmo com a Inteligência Artificial. É natural que muitas pessoas se 

perguntem: “Será que a IA substituirá os professores?”. A resposta que ouvi de diferentes especialistas foi praticamente unânime: não. 

A IA pode organizar informações, identificar padrões, apoiar como ferramenta os processos de correção, analisar dados e contribuir para a personalização da aprendizagem. Entretanto, ela não estabelece vínculos. 

Não percebe, por si só, quando um estudante está inseguro, não acolhe uma família e não inspira pelo exemplo. 

Uma das palestras apresentou uma reflexão simples, mas profundamente significativa: “Quem influenciou você a ser quem é hoje?” 

Provavelmente, a resposta não será um computador. Será um professor, uma mãe, um pai, um amigo ou alguém que acreditou em você e contribuiu para a sua formação. 

É justamente essa dimensão que a Inteligência Artificial jamais conseguirá substituir. A escola do futuro continuará sendo um espaço de relações humanas. Nesse contexto, o educador deixa de ser visto apenas como transmissor ou detentor de conteúdos e assume um papel ainda mais relevante: orientar, mediar, provocar reflexões, desenvolver o pensamento crítico e ensinar os estudantes a formular boas perguntas. 

No Colégio Anchieta, já vivenciamos experiências que apontam para esse caminho. A IA pode apoiar 

processos, ampliar a capacidade de análise e contribuir para decisões pedagógicas mais qualificadas. Contudo, a validação deve permanecer humana, porque educar continua sendo um ato profundamente humano. 

Talvez a maior transformação provocada pela IA não seja tecnológica. Ela nos convida a recordar aquilo que sempre foi essencial: aprender é uma experiência construída por pessoas, para pessoas. 

Também não podemos ignorar que a aprendizagem exige processo. Há etapas que precisam ser vivenciadas, e não existem atalhos capazes de substituir o esforço, a investigação, o erro, a revisão e a construção do conhecimento. 

Esse caminho não tem um ponto final. Continuaremos buscando aprimoramentos, inovação e novas 

possibilidades, sem perder de vista aquilo que orienta nossa missão educativa: colocar o amor em serviço. Em outras palavras, como Santo Inácio nos ensinou: “Em tudo amar e servir.”

Por Márcia Silva, Analista de Tecnologia Educacional

Outras Publicações

  • Do experimento à descoberta: o laboratório como espaço de inovação (Agosto/2026)
    19/08/2026
    Em dias como os de hoje, em que a palavra “inovação” significa apenas o quanto as tecnologias e os computadores ficam cada vez mais avançados, acabamos por nos esquecer de quais são as verdadeiras inovações dentro da área da educação. Uma inovação dentro de uma sala de aula é mais do que “o quanto um
    Ler mais
  • Cultura Maker e Aprendizagem Mão na Massa
    07/07/2026
    A Cultura Maker é uma abordagem educacional que incentiva as crianças a aprenderem por meio da criação, da experimentação e da resolução de problemas. Em vez de apenas receberem informações de forma passiva, os estudantes tornam-se protagonistas do próprio aprendizado, colocando ideias em prática por meio da construção de projetos, experimentos, protótipos e atividades colaborativas.  A aprendizagem
    Ler mais
  • Quando algoritmos moldam o olhar: discernimento digital na formação de crianças e adolescentes. (Maio/2026)
    11/05/2026
    Vivemos um tempo em que a presença digital se inicia cada vez mais cedo. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, 93% das crianças entre 9 e 13 anos já possuem perfil em redes sociais. Ao mesmo tempo, dados da ChildFund Brasil indicam que cerca de 20% dos jovens já tiveram contato com desconhecidos
    Ler mais