Casarão Amarelo: Uma História Viva (Abril/2026)

30/04/2026

O Colégio Anchieta, nosso conhecido “Casarão Amarelo”, foi fundado em 12 de abril de 1886 por padres jesuítas italianos. Sua sede histórica, com arquitetura neoclássica, destaca-se na bela paisagem da cidade de Nova Friburgo desde então. Ele é uma das instituições de ensino mais tradicionais desta cidade, e sua história remonta a 1884, quando um médico italiano, Carlos Éboli, apresentou um pedido para instalação de um colégio jesuíta na região serrana fluminense, pedido aprovado por D. Pedro II, pela Princesa Isabel e pelos Superiores da Companhia de Jesus.

Os primeiros alunos eram sete: quatro de Nova Friburgo e três do Rio de Janeiro. Ao fim do primeiro ano, o número já subia para 39. E, na virada do século, eram cerca de 200 alunos. Muita história foi construída durante todo este período, com a participação de personagens ilustres, como Rui Barbosa, Arthur Bernardes, Euclides da Cunha, Capistrano de Abreu, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, o jornalista Zuenir Ventura e muitos outros. A história deste colégio foi se confundindo com a história da própria cidade de Nova Friburgo.

O prédio escolhido para abrigar o colégio foi a casa grande da antiga Fazenda do Morro Queimado. No entanto, com o tempo, o casarão se tornou pequeno, e, em 1º de janeiro de 1902, foi lançada a pedra fundamental do novo prédio, pelo Pe. Domingos de Meis. Mas coube ao seu sucessor, Pe. Luis Yabar, a tarefa de erguer a atual estrutura do Anchieta. A construção deste imponente prédio, no centro de Nova Friburgo, durou cerca de dez anos. Na década de 60, o Colégio se transformou em externato, passando a receber também alunos das cidades vizinhas. E, em 1969, passou a aceitar alunas, convertendo-se em colégio misto.

A história e a arquitetura do colégio respondem às marcas originais da educação da Companhia de Jesus, que une fé e ciência, virtude e letras, representadas pelas duas estátuas erguidas na parte superior da frente do casarão e pelo imponente pavilhão do Teatro, cuja platibanda tem, ao centro, coroando a construção, a inscrição “Fides et Scientia”. Destaque também para o interior do prédio, que é ricamente decorado com afrescos pintados por Arnaldo Mecozzi (1876-1932), pintor italiano que se transferiu para o Brasil em 1912.

Hoje, o Colégio Anchieta faz parte, junto a outras 17 Unidades Educativas, da Rede Jesuíta de Educação Básica do Brasil (RJE), da Federação Latino-Americana de Colégios Jesuítas (FLACSI) e da Rede Global de Colégios Jesuítas, compartilhando experiências, valores e práticas educativas em escala local e global.

Sua missão tem sido promover educação de excelência, inspirada nos valores cristãos e inacianos, contribuindo para a formação de cidadãos competentes, conscientes, compassivos, criativos e comprometidos. E tem como visão, a partir deste ano: “Ser uma rede colaborativa, inovadora e com crescimento sustentável, comprometida com a cidadania global e com a justiça socioambiental, referência de excelência em formação inaciana integral.”

Para a RJE, o Colégio Anchieta tem sido inspiração e símbolo de competência acadêmica, administrativa, pastoral e organizacional e tem se destacado pela resposta eficiente e eficaz às orientações da Rede, notadamente no que se refere à construção de seu Plano Estratégico 2021-2025, com o desenvolvimento de programas e projetos robustos e de qualidade que culminaram na elaboração do Novo Documento Curricular. Destaque, igualmente, para a educação bilíngue, além dos programas de intercâmbio. A excelência da entrega acadêmica ofertada nesse espaço educativo, solo sagrado, pode ser evidenciada a partir das inúmeras aprovações em universidades nacionais e internacionais, projeto que, portanto, atesta seu sentido e vínculo com uma realidade que, ao nos desafiar a cada dia que passa, igualmente nos inspira a prosseguir em vista do magis tão próprio da Companhia de Jesus. Igualmente, alunos e antigos alunos aqui formados, educados desde os princípios pedagógicos da Companhia de Jesus, demonstram seu compromisso com a sociedade por meio das mais diferentes instâncias, desde a esfera pública até os espaços do Colégio, como é o exemplo do nosso Curso de preparação para o vestibular, totalmente gratuito e coordenado por educadores voluntários, antigos alunos e famílias dessa instituição.

Nesse sentido, fiéis à tradição de inovar que nos é própria, o que esperar dessa instituição que acumula uma bagagem de 140 anos de prática pedagógica? Qual é o seu significado hoje, em ser um colégio da Companhia de Jesus na cidade de Nova Friburgo? Quais compromissos com o conhecimento, com a fé, com a justiça, com as juventudes e com a casa comum serão norteadores da sua proposta curricular? Convido o Anchieta a nos ajudar a olhar para além dessas montanhas, conduzindo-nos ainda mais para o alto, respondendo de maneira inovadora e compromissada ao nome que lhe foi dado: Anchieta, apóstolo do Brasil, educador por excelência.

Estamos iniciando, como Rede Jesuíta de Educação, o 3º ciclo de Planejamento Estratégico 2026-2032. Tenho certeza de que o Colégio Anchieta, mais uma vez, acolherá as orientações da Rede com sabedoria, rigor e competência e construirá novo Plano Estratégico em vista de um colégio capaz de responder aos desafios e oportunidades do mundo de hoje e de amanhã.

Como Diretor-Presidente da RJE, parabenizo e agradeço à comunidade anchietana, em especial à equipe diretiva — Pe. Toninho Monnerat, Prof. Alexandre Marins, Prof. Renato Satyro e Prof.ª Angélica Engel — pela condução firme, cuidadosa e competente desta Obra Apostólica da Companhia de Jesus.

Hoje, o Colégio Anchieta conta com mais de 1030 alunos, da educação infantil à 3ª série do ensino médio. E tem sido, para esta cidade de Nova Friburgo e para a RJE, exemplo de tradição que inova, que busca, por meio da experiência acumulada ao longo dos anos, dos valores que transmite de geração em geração e das práticas de excelência em seu fazer pedagógico, educar para o futuro, um futuro cheio de esperança.

Parabéns a todos e todas que ajudaram esse lindo casarão a chegar até aqui.

Por Prof. Fernando Guidini, Diretor-Presidente da Rede Jesuíta de Educação Básica.

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