Os desafios da valorização da arte urbana no espaço público brasileiro (Julho/2025)

23/07/2025

A música “Gentileza” da cantora Marisa Monte foi criada para criticar a ação da prefeitura do Rio de Janeiro de apagar as pinturas do artista conhecido como Profeta da gentileza. Essa canção evidencia e traz à tona a falta de valorização da arte urbana no espaço público brasileiro, visto que essa forma de expressão ainda é vista por muitos como uma maneira de vandalismo. Com frequência, isso ocorre devido ao preconceito e às lacunas na educação. 

Primeiramente, os estigmas da sociedade em relação à problemática é um fator agravante da situação. Para o filósofo iluminista, Jacques Rousseau: “o preconceito é (a) opinião sem conhecimento”. Assim como dito pelo pensador, muitos cidadãos acabam criando uma visão discriminatória sobre a arte urbana por não ter consciência de que ela é uma ferramenta de expressão, tendo em vista que além de estéticas, também carregam mensagens sociais, políticas e culturais. Dessa forma, o preconceito pode levar à desvalorização da arte de rua, junto com a diminuição das diversidades culturais nos espaços públicos e nas expressões artísticas. 

Ademais, lacunas na educação podem ser desafios para a valorização das manifestações artísticas urbanas no Brasil. De acordo com o professor da USP, Rafael Zampirolli: “A arte urbana é muito mais que estética, ela é uma forma de cidadania”. No entanto, apesar de ser extremamente importante para a construção de um cidadão, poucas são as informações transmitidas nas escolas sobre esse meio de expressão, pois o método de ensino atual brasileiro está mais virado para a transmissão de conteúdos considerados de maior importância, como por exemplo, português, matemática, ciências e outros. Contudo, tais lacunas podem gerar uma visão crítica e criativa pobre e alimentar o ciclo de preconceito para com essa arte.  

Portanto, para combater o preconceito e as lacunas na educação, urge-se uma intervenção. É dever do governo, por meio do Ministério da Educação e da mídia, promover campanhas de conscientização sobre a importância da arte urbana em escolas, locais públicos e em meios digitais (televisão, sites e redes sociais), visando sensibilizar crianças e adultos. Assim, será possível que arte urbana no espaço público brasileiro seja valorizada de maneira plena por todos. 

Por Marianna Ignácio, Aluna do Impulso Social Anchieta

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