Segurança Digital: cuidando de crianças e adolescentes (Setembro/2025)
A internet é um espaço fascinante de aprendizado e conexão, mas também pode se transformar em um ambiente de risco para crianças e adolescentes. Como mãe e profissional de tecnologia educacional, sinto o dever de alertar para os perigos que rondam esse universo e que, muitas vezes, passam despercebidos pelas famílias.
Pesquisas recentes, como a TIC Kids Online Brasil 2024, revelam dados preocupantes: 90% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam a internet todos os dias, mas apenas 37% afirmam que pais ou responsáveis estabeleceram regras claras sobre seu uso. Esse dado mostra uma lacuna significativa de acompanhamento.
Entre os principais riscos, destacam-se a adultização precoce (tema evidenciado em um vídeo viral recente do influenciador Felca), o cyberbullying, o sexting (compartilhamento de conteúdos íntimos entre adolescentes), o grooming (aliciamento praticado por adultos com más intenções), os desafios virais perigosos (como o caso do “desodorante”) e a exposição de fotos pessoais. Todos esses fatores podem gerar impactos emocionais graves, que variam da ansiedade a situações extremas de violência contra si mesmo.
O caso de Amanda Todd, ocorrido no Canadá, ilustra de forma trágica a urgência dessa discussão. Aos 15 anos, a adolescente foi vítima de chantagem com imagens íntimas e de intenso bullying virtual. Sua história, que terminou de forma dolorosa, repercutiu no mundo inteiro e reforça a necessidade de tratarmos a segurança digital como prioridade.
No Brasil, o tema tem avançado em debates públicos. O Projeto de Lei 2628/2022, conhecido como ECA Digital, busca atualizar o Estatuto da Criança e do Adolescente, responsabilizando também as plataformas digitais. O Instituto Alana, referência na defesa dos direitos da infância, tem se destacado na sensibilização da sociedade para a urgência de regulamentações que protejam os mais vulneráveis.
No entanto, além das leis, a proteção começa em casa. A SaferNet Brasil aponta que 30% das crianças já conversaram com estranhos pela internet. Esse dado reforça a importância de que famílias estabeleçam limites, acompanhem as interações online e, sobretudo, mantenham um diálogo aberto e constante com seus filhos.
Não podemos esperar que jovens deem conta sozinhos de um universo digital repleto de armadilhas. Eles precisam de escuta atenta, presença ativa e orientação. Isso inclui conversar sobre riscos, revisar juntos as configurações de privacidade, acompanhar o tempo de tela e, quando necessário, utilizar recursos de controle parental.
A tecnologia pode — e deve — ser uma aliada no processo de formação. Mas, para isso, precisa estar cercada de cuidado. Pais, responsáveis e educadores devem se unir em um pacto de proteção, sem demonizar a internet, mas também sem deixar crianças e adolescentes sem acompanhamento.
A internet pode ser um espaço de descobertas, criatividade e aprendizado. Para que seja segura, nós, adultos, precisamos assumir nosso papel como mentores e protetores nesse caminho. Segurança digital é cuidado, diálogo e presença ativa da família e da sociedade.
Marcia Leal, analista de tecnologia educacional












