Caminhar em diálogo como o meio ambiente (Dezembro/2023)

18/12/2023

( E eu com isso? )

É dezembro e o Natal se aproxima. Ao caminhar pelas ruas, percebemos uma crescente ânsia por coisas novas e o verbo comprar se torna um dos mais ditos do ano em um curto período de tempo. O consumismo em nossa sociedade, deriva do desejo por coisas novas ,que se torna mais latente em dezembro, além de produzir lixo pelo descarte de objetos que rapidamente são julgados como obsoletos geram montanhas de lixo constituídas também pelo descarte de embalagens das coisas novas presentes em muitos desejos natalinos.

Caminhar em diálogo com o ambiente exige empatia , exigindo um processo de comunicação interativa com o entorno, rompendo moldes estereotipados, improdutivos e reprodutivos ( como comprar, comprar, comprar…porque é dezembro e o Natal se aproxima).

Esse diálogo implica a formação de uma consciência integradora e mobilizadora que vai do individual ao coletivo, promovendo cada vez mais aprendizagens e engajamentos com sentido voltado à formação da cidadania ambiental na sociedade planetária.

Em interessante passagem do livro Meditações ecológicas de Inácio de Loyola – Pe.Josafá Carlos de Siqueira, SJ, cita que “ a grande originalidade de Inácio estava no fato de que sua contemplação não era passiva e voltada para si mesmo, mas, ao contrário refletia-se imediatamente numa ação ativa e voltada para fora de si, sentindo um esforço de servir a Jesus Cristo. É uma contemplação na qual a alegria interior se transforma em serviço , doação, entrega. O cosmos abria para Inácio um espaço de totalidade, onde a graça de Deus , depois de consolá-lo, enchia sua existência de um desejo sempre maior de servir a Deus e ao próximo.”

É dezembro e o Natal se aproxima. Encontrar um sentido para esse caminhar requer mudança de hábitos e posturas , reeducando pessoas para Deus em um servir já observado na entrega de homens e mulheres na defesa da vida, preservação da natureza ou na conservação do patrimônio ecológico, oriundos do exemplo de Inácio, na qual a contemplação ativa leva a constatação de que o divino, o humano e o cósmico estão intimamente relacionados .

E eu com isso ?

A ecologia natural não pode se dar sem a ecologia social e, portanto, é urgente a construção de uma cultura de sustentabilidade e cuidado com toda e qualquer forma de vida. Paulo Freire nos fala de uma “ racionalidade molhada de emoção “. Morin nos fala de uma “ lógica do vivente “ contra a “ racionalidade instrumental “ evidenciada por Habermas.

É dezembro e o Natal se aproxima. É tempo de viver o verdadeiro sentido das coisas que vai muito além do consumismo exagerado desta época do ano. É um caminhar permeado de pertencimento em homenagem ao Criador e as criaturas e para tanto exercitar nova tarefa exigida por esses novos tempos…selecionar o que de fato é indispensável às nossas vidas …selecionar o que é realmente sustentável em nossas vidas.

Por Elaine M da S Guaralde, Professora e Coordenadora de Cidadania Global

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