Casarão Amarelo, Memórias Eternizadas (Maio/2026)

08/05/2026

“Puxando fios de memórias…  

E tecendo, ela própria trouxe o tempo… (Marina Colasanti)

 Este texto me permite reviver alguns momentos singulares e de muita emoção! Ter feito parte da equipe pedagógica do Colégio Anchieta foi um marco em minha vida profissional, durante as reitorias do Padre Mendonça e do Padre Pecci.

Em 1989, fui solicitada pela então diretora do Pré-Anchieta, Professora Selma Miranda Ribeiro, a elaborar um projeto voltado para a produção textual nas turmas de alfabetização até o 4º ano (5º ano atual). Contei com o apoio das assessoras pedagógicas do Segmento I, Professora Wanda Thomaz Verly e Professora Maria Helena Batista Bastos. A equipe docente participou ativamente da implementação do projeto, com a colaboração dos funcionários de apoio.

Puxando “fios de memórias”, cito a encenação dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, sob a coordenação da Professora de Religião Janimay Guerra Pecci e do Professor Marcelo Piller (hoje, Padre Marcelo), que contou com a imensa colaboração de nosso saudoso Padre Araújo e de toda a equipe do Pré-Anchieta, junto aos alunos, para um maior conhecimento da vida de Santo Inácio.

O ato de recordar o passado, neste colégio, permite o surgimento de inúmeras nuances dentro de uma mesma história. Selecionar momentos marcantes é vivenciar, com saudade, o sentimento de dever cumprido, além de reencontrar alunos e alunas que se recordam, com alegria, de nossas aulas de produção artística e textual.

Em parceria com a coordenadora de Artes, Professora Lílian Souza da Costa, realizamos o projeto denominado “A IMPREGNAÇÃO ARTES E REDAÇÃO”, apresentado no II Congresso Inaciano de Educação, realizado em Itaici, São Paulo, em comemoração aos 400 anos do Padre Anchieta e aos 300 anos do Padre Antônio Vieira. Nossa meta foi a criação de um espaço em que a criança compreendesse sua produção e a do “outro”: um espaço de troca, de organização de ideias e de ampliação de sua sensibilidade e cognição em relação às manifestações artísticas, permitindo que se expressasse livremente por meio dos diversos gêneros literários, como mais uma forma de se comunicar com a realidade.

Um dos pontos de singular importância foi a realização do livro “Ao descobrirmos as letras, descobrimos o Brasil”, nas turmas de alfabetização, por ocasião dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, que contou com a escrita de cartinhas entre os colegas.

O lançamento do livro “Pingos de Poesia”, realizado pelas turmas do 3º e 4º anos, ocorreu no Festival de Poesia, no imponente teatro do Colégio Anchieta. Esse evento foi destaque para nossos pequenos poetas anchietanos, que certamente levaram para a vida toda a magia da linguagem poética e a lembrança de terem declamado seus poemas no palco histórico onde Rui Barbosa proferiu um famoso discurso, em 1903.

Uma recordação marcante foi a Oficina de Jornal do Pré-Anchieta, com a criação de “O Jornal Arco-Íris”, que contou com a participação de um grupo de estudantes na produção de matérias com entrevistas, poesias, recadinhos, pesquisas históricas, entre outros. Um sucesso!

A “hora do café” fazia parte dos momentos de descontração na Sala dos Professores, quando trocávamos ideias e ríamos bastante. Impossível esquecer!

Quero mencionar, também, o apoio da direção do colégio ao proporcionar aos professores cursos de pós-graduação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em diversas áreas e, especificamente, no meu caso, em “Leitura e Produção de Texto”. Uma grande oportunidade de unir teoria e prática em sala de aula.

Os fios são intermináveis e, enquanto houver a valorização do PROFESSOR, haverá como registrar nossos passos nas páginas da vida… Lembranças que se eternizam! Os “fios de memórias” só existem porque existiram — e sempre existirão — alunos e alunas ao nosso redor.

Obrigada, Colégio Anchieta!

Creuza Barros Duarte, antiga professora do Colégio Anchieta

Outras Publicações

  • Casarão Amarelo: Uma História Viva (Abril/2026)
    30/04/2026
    O Colégio Anchieta, nosso conhecido “Casarão Amarelo”, foi fundado em 12 de abril de 1886 por padres jesuítas italianos. Sua sede histórica, com arquitetura neoclássica, destaca-se na bela paisagem da cidade de Nova Friburgo desde então. Ele é uma das instituições de ensino mais tradicionais desta cidade, e sua história remonta a 1884, quando um
    Ler mais
  • Uma vida dedicada à Educação (Abril/2026)
    17/04/2026
    Há alguns anos, atravessei os portões deste colégio pela primeira vez. Ainda lembro das expectativas, dos sonhos e até dos receios que carregava naquele início. Eu não sabia, mas, naquele momento, começava uma das histórias mais importantes da minha vida. Minha caminhada começou na área de Formação Cristã, preparando alunos para a Primeira Eucaristia. Foram
    Ler mais
  • Celebrando 140 anos do Colégio Anchieta (Abril/2026)
    10/04/2026
    São muitas as razões que justificam a nossa grande alegria e o nosso orgulho em celebrar, de maneira muito especial, estes 140 anos do Colégio Anchieta. Se olharmos para o passado, como olhamos em todos os aniversários do Colégio Anchieta, encontraremos a rica história de uma escola sonhada pelo médico italiano Dr. Carlo Éboli, lá
    Ler mais