Desafios da arte: humanizar e resistir às diversas faces da exclusão social (Julho/2026)
O filme Sociedade dos Poetas Mortos discorre sobre a importância da arte para a inclusão e o sentimento de pertencimento em uma comunidade, a partir do professor de literatura que apresenta tal realidade aos alunos. Lamentavelmente, é notório como a reflexão iniciada pela obra não é perpetuada no Brasil contemporâneo, visto que a arte ainda encontra desafios para se concretizar como elemento humanizador e de inclusão. Dessa forma, percebe-se como a elitização histórica e hodierna das manifestações culturais e a marginalização das expressões artísticas periféricas são apresentadas como agravantes da problemática.
Primeiramente, é imprescindível analisar como o ideário de superioridade da arte das elites é perpetuado na história da humanidade. A partir disso, nota-se que a disseminação do movimento parnasiano na literatura brasileira exemplifica a temática, já que somente os mais educados tinham acesso aos textos e podiam compreendê-los, o que acarretou na perda do público leitor mais humilde conquistado no período romântico. Nessa perspectiva, tal momento histórico gera consequências atuais, uma vez que popularizou as ideias de elitização e segregou outras formas de manifestação cultural, demonstrando o caráter político e social da arte. Assim, é importante perceber como a desigualdade no acesso às produções artísticas impacta socialmente as populações e como é necessário que medidas para mudar tal realidade sejam realizadas.
Ademais, faz-se primordial perceber como a exclusão das formas de expressão periférica também impede a concretização do papel da arte como mecanismo humanizador, pois muitas formas de arte são consideradas inferiores apenas por serem praticadas por populações mais pobres, como o grafite. Nesse sentido, o apagamento do maior mural de grafite da América Latina, em São Paulo, demonstra corretamente o pensamento de inferioridade dessas manifestações por parte dos cidadãos no poder, que visualizam tal arte como inútil e vandalizadora, contribuindo para uma maior marginalização e perpetuação do sentimento de superioridade dos mais ricos. Logo, compreende-se como ações que busquem mitigar esses ocorridos devem ser efetivadas.
Portanto, é de suma importância que projetos que busquem a concretização da arte como resistência às diversas faces da exclusão social sejam criados. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação e Cultura criar campanhas de divulgação artística, por meio das mídias digitais, como o Instagram, a fim de popularizar o acesso à arte e, consequentemente, mitigar as situações de elitização e exclusão das formas de expressão.












