Educação antirracista: caminhos para combater comportamentos racistas dentro e fora (Agosto/2026)
Na novela infantil “Carrossel”, produzida pela rede brasileira de TV SBT, Cirilo, um dos protagonistas, é um menino negro que sofre preconceito por parte de seus colegas no ambiente escolar. Analogamente ao contexto cinematográfico, é possível perceber que, infelizmente, ainda existem desafios para combater comportamentos racistas, tanto dentro das escolas quanto fora delas, o que urge seu debate. Desse modo, nota-se que o óbice ocorre, principalmente, pela ineficiência midiática e pela própria lacuna educacional.
Em primeira análise, é imprescindível esclarecer que as divulgações midiáticas são superficiais e ineficazes frente aos casos de injúria racial. Nessa perspectiva, cabe citar o famoso jogador de futebol Vinicius Junior, brasileiro que, durante diferentes partidas, sofreu ataques preconceituosos advindos, majoritariamente, da torcida rival. No entanto, apesar de tamanha necessidade de reparação, o próprio atleta divulgou os ocorridos, já que os canais de transmissão permaneceram silenciados. De maneira semelhante a esse caso, é notório que há uma continuidade na lacuna midiática, uma vez que essas redes públicas de divulgação priorizam o compartilhamento de histórias de cidadãos brancos e ricos, por acreditarem que promoverão maior visibilidade, em detrimento de casos de racismo, especialmente envolvendo a população periférica, que ocorrem no cotidiano contemporâneo. Isso resulta na perpetuação dos episódios de violência racial, tanto verbal quanto física, causando, na vítima, transtornos como depressão e ansiedade.
Ademais, é conveniente ressaltar que a negligência das escolas em relação às propostas antirracistas também é um fator que contribui para a perpetuação do entrave. Nesse contexto, destaca-se a campanha “Black Lives Matter”, iniciativa reconhecida mundialmente que busca o fim do racismo, afirmando que vidas negras importam. Contudo, apesar do desenvolvimento de projetos como esse, é evidente que os ambientes escolares, lamentavelmente, ainda falham em apresentar discussões acerca de práticas como o preconceito racial aos infantes. Isso ocorre pela priorização de matérias consideradas mais importantes, como a Matemática, o que contribui para a formação de indivíduos menos éticos a respeito de ações racistas. Dessa forma, as pessoas, desde a infância, enfrentam dificuldades no desenvolvimento do pensamento crítico sobre quais atitudes são adequadas para o convívio social, o que precisa mudar.
Portanto, para que a problemática seja plenamente resolvida, faz-se urgente que medidas sejam tomadas. Logo, o governo federal, órgão responsável pela promoção de políticas em prol do bem-estar da sociedade, deve criar e incentivar propostas antirracistas. Isso será feito por meio de seu espaço nas mídias, a fim de combater comportamentos racistas no país. Além disso, o Ministério da Educação deve, por intermédio de debates e palestras com os alunos, implementar aulas acerca dos impactos negativos do racismo dentro e fora das escolas na grade curricular, com a finalidade de formar cidadãos éticos em relação ao preconceito no Brasil hodierno.
Por Ana Beatriz Miele, aluna da Terceira Série do Colégio Anchieta












