Os fins justificam os meios na atuação política e social? (Outubro/2026)
“É preferível ser temido do que amado, se não se pode ser os dois”, frase atribuída a Nicolau Maquiavel, conhecido por suas contribuições nos campos da filosofia e da política, além de suas reflexões sobre estratégias políticas. Nesse sentido, pode-se perceber que o ato de governar gera debates pelo simples fato de parte da população não aceitar o político eleito e, mais ainda, suas ações, o que levanta o questionamento: os fins justificam os meios? Diante dessa questão, é notável que os métodos podem ser considerados justificáveis em função dos resultados, uma vez que parte da população se importa apenas com a solução dos problemas, e nem sempre a ética é suficiente para atender às suas expectativas.
Primeiramente, é perceptível que a população de uma nação demanda a resolução dos problemas, muitas vezes sem compreender como eles são solucionados. Entretanto, a partir do momento em que são resolvidos, os meios utilizados podem deixar de ser questionados. Como exemplo, pode-se citar a Alemanha nazista, sob o comando de Adolf Hitler, que, por meio de políticas econômicas e medidas de recuperação industrial, reduziu o desemprego e conquistou apoio popular, embora seu regime tenha perseguido judeus e opositores políticos e promovido o genocídio de milhões de pessoas. Dessa forma, é possível perceber como parte da população pode desconsiderar os métodos utilizados por um governante quando acredita que os resultados atendem aos seus interesses.
Além disso, em muitos casos, aquilo que é visto como correto não resolve a problemática em questão ou, pelo menos, reduz parcialmente o problema, sem eliminá-lo totalmente. Nesse contexto, vale mencionar o filme Jogos Vorazes: A Esperança – O Final, no qual a personagem Katniss participa do processo de derrubada de um regime autoritário e desigual, que culmina na morte de líderes políticos e de outros apoiadores do governo. Assim, é possível perceber que, em determinadas circunstâncias, a luta por justiça pode envolver ações extremas, levantando questionamentos sobre os limites éticos dos meios utilizados para solucionar os problemas de uma nação.
Logo, a reflexão de Maquiavel pode ser mais bem compreendida ao se considerar que um governante pode ser amado até que a população deixe de confiar nele, enquanto o temor pode manter a obediência, desde que ele saiba como exercer o poder. Desse modo, mesmo diante da possibilidade de uma guerra ou de uma grande revolução, surge o questionamento sobre até que ponto os meios podem ser justificados em prol da justiça e do bem-estar de um Estado.












