Desafios da arte: humanizar e resistir às diversas faces da exclusão social (Outubro/2026)
A Semana de Arte Moderna, realizada no Brasil em 1922, ampliou o papel da arte, que deixou de ser uma atividade exclusivamente das elites para se tornar uma forma de exposição das questões nacionais e de construção de uma identidade brasileira. Tal função persiste até os dias atuais, sendo responsável também por humanizar expressões humanas e resistir às diversas faces da exclusão social. Porém, a inversão de valores e a inferiorização de expressões artísticas que quebram padrões atuam como desafios para a valorização da atividade. Dessa forma, a análise dessas problemáticas torna-se essencial.
Em primeira análise, vale ressaltar que a inversão de valores acerca da função da arte dificulta a humanização das obras. Isso ocorre devido à dificuldade que a ignorância causa no processo de compreender a arte como forma de expressão humana e como parte da cultura coletiva e pessoal, visto que ela deve ser acessível a todos, mas carrega subjetividades. Consequentemente, expressões artísticas são menosprezadas e objetificadas, sendo usadas como objetos de decoração, e não mais como ferramentas de expressão humana. Ao não compreender a arte como produção que carrega significados subjetivos, a sociedade alimenta a prática de produzir “o belo pelo belo”, como ocorreu durante o período literário parnasiano, no qual os significados presentes nas produções literárias eram ignorados, cultivando uma cultura de consumo superficial da arte. Por isso, é indiscutível a necessidade de resolução dessa questão.
Além disso, é importante destacar que a inferiorização de origens artísticas alternativas também intensifica os desafios enfrentados para a plena valorização da arte, sendo causada principalmente pelo elitismo cultural, que menospreza as obras que quebram padrões sociais estabelecidos. À luz disso, a cantora Ebony, em suas músicas, expressa que a arte é uma forma de expor os obstáculos enfrentados por ser uma compositora negra e mulher. Essa realidade não se restringe somente à cantora citada, mas também se estende a diversos artistas socialmente excluídos, como pessoas periféricas, homossexuais e mulheres, que usam a arte como forma de denúncia e resistência. Entretanto, as elites culturais e econômicas inferiorizam movimentos artísticos provenientes desses grupos, já que eles abordam questões vivenciadas por minorias ignoradas por essas elites. Isso torna a valorização seletiva da arte uma forma de exclusão social, retirando-lhe seu caráter de resistência, o que exige uma solução urgente.
Logo, é indispensável que ambas as problemáticas sejam solucionadas. Portanto, o Ministério da Cultura deve apoiar manifestações artísticas de grupos socialmente excluídos. Isso deve ser efetuado por meio de programas públicos de exposição e divulgação tanto das obras artísticas quanto de seus significados. Tal ação deve ser realizada a fim de combater a inversão de valores, atribuindo e reforçando a subjetividade artística, e de contrariar a valorização seletiva da arte pelas elites, visto que as obras menosprezadas por elas passariam a ter maior visibilidade. Por conseguinte, essa iniciativa contribuiria também para a manutenção dos objetivos da arte defendidos pelo movimento de 1922.
Mariana Madeira Borges, aluno da Terceira série do Ensino Médio












