Desafios para a valorização da arte de periferia no usuário cultural brasileiro (Abril/2026)

04/05/2026

O “funk”, estilo musical, surge nos Estados Unidos e chegou às periferias brasileiras em meados dos anos 70, sendo hoje um dos gêneros musicais mais conhecidos no Brasil. Apesar desse tipo de música ser muito aclamada, uma substancial parcela da população subjuga-a devido à sua origem periférica. Desse modo, a fim de compreender os desafios da valorização da arte periférica, suas causas devem ser debatidas, a saber: a negligência governamental e o preconceito. 

Em primeira análise, é válido observar o quanto a discrepância do poder público age na persistência da desvalorização da arte de rua. Durante a Primeira República, negros foram proibidos de exercer sua cultura, sendo o exercício dela considerado crime de vadiagem. Apesar de muito tempo ter se passado desde a República da Espada, poucas mudanças são percebidas, na medida em que, hodiernamente, a arte produzida por esses grupos étnicos permanece vítima de boicotes estatais e sociais, por exemplo, a falta de investimento no setor, diminuindo, ainda mais, sua visibilidade e alcance. Logo, enquanto a máquina pública seguir negligenciando o setor artístico periférico, ele seguirá sendo invisibilizado e, gradualmente, esquecido. 

Além disso, outro fator que colabora para a desvalorização da arte periférica é o preconceito. Nesse sentido, a Semana de Arte Moderna de 1922 buscava romper com padrões academicistas e hegemônicos da época e instaurar uma liberdade artística brasileira, com foco no racionalismo. Paradoxalmente, ainda que o movimento tenha sido um marco para o âmbito artístico, alguns grupos foram segregados do acontecimento, não possuindo uma participação efetiva na consolidação desse movimento. Assim, esse grupo segregado sofre para obter a valorização de sua arte e ganhar o reconhecimento devido, por causa do preconceito. 

Portanto, medidas devem ser tomadas para a superação dos desafios da valorização da arte periférica. Logo, cabe ao Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Cultura, investir em setores artísticos nas periferias, por exemplo, financiando exposições com artistas periféricos, a fim de gerar reconhecimento. Ademais, infere-se que o Poder Público conscientize sobre o preconceito, por meio de palestras nas escolas, por exemplo, sobre a história da arte negra, a fim de inserir a discriminação. Dessa forma, não apenas o “funk”, como outras formas de arte periférica terão reconhecimento e deixarão de ser alvo de preconceito.

Por Isabela Ramos, aluna da Terceira Série do Ensino Médio

Outras Publicações

  • Desafios da arte: humanizar e resistir às diversas faces da exclusão social (Outubro/2026)
    30/10/2026
    A Semana de Arte Moderna, realizada no Brasil em 1922, ampliou o papel da arte, que deixou de ser uma atividade exclusivamente das elites para se tornar uma forma de exposição das questões nacionais e de construção de uma identidade brasileira. Tal função persiste até os dias atuais, sendo responsável também por humanizar expressões humanas
    Ler mais
  • Identidade Nacional e Desenvolvimento: Papel do Turismo (Outubro/2026)
    26/10/2026
    De acordo com o site Blog Imaginie, o Brasil ocupa o 7º lugar no ranking dos países com maior destaque no turismo sustentável no mundo. Atualmente, o deslocamento de turistas entre territórios tem desenvolvido diferentes formas de geração de renda nos países. Porém, quando não ocorre de maneira sustentável, o turismo pode gerar problemas alarmantes,
    Ler mais
  • A precariedade da saúde bucal da população brasileira (Outubro/2026)
    05/10/2026
    Durante o período conhecido como Idade Média, marcado por diversos eventos históricos, como a Peste Negra, era comum a proliferação de inúmeras doenças, resultado da falta de higiene da população dessa época, impactando a precarização da saúde, em especial a bucal. Nesse contexto, mil e quinhentos anos depois, a saúde bucal ainda é um tópico
    Ler mais