Dez anos de SiNUCA: formação integral através da diplomacia estudantil (Agosto/2025)

15/08/2025

Com a melhor das estimas, nos reunimos no teatro pela décima vez não simplesmente para abrir mais uma edição da Simulação das Nações Unidas do Colégio Anchieta, mas para fazermos um tributo aos dez anos de história. Ao todo, foi ofertada a mais de mil alunos a oportunidade de participar da SiNUCA, mil pessoas que puderam ser transformadas por este momento tão único na trajetória escolar de todos nós.

Ao englobar tantos aspectos de formação, é evidente o impacto de um evento como a SiNUCA na construção individual de cada um dos quase 300 estudantes que compõem esta edição. Oratória, negociação, pensamento crítico, liderança, resolução de conflitos, argumentação, análise geopolítica, diplomacia, improviso e autoconfiança são apenas algumas das tantas habilidades trabalhadas em nossa simulação, as quais convergem, por sua vez, em um ponto comum e reforçam a proposta central da Rede Jesuíta de Educação: a formação humana integral, desenvolvendo o indivíduo em todas as áreas que lhe cabem mudança e aprimoramento.

A grandeza da SiNUCA não reside apenas no brilho dos discursos nem na complexidade dos temas debatidos, mas, sobretudo, na colaboração harmoniosa e na articulação comprometida entre as distintas funções e equipes que, ao se entrelaçarem, tornam possível a realização desta simulação. É na união entre papéis diversos que se revela a verdadeira força do coletivo, e é através desse esforço conjunto que construímos, juntos, algo memorável.

Na SiNUCA, delegados e assessores têm a missão de representar suas nações com fidelidade, comprometimento e senso de justiça, defendendo políticas externas alinhadas às suas delegações e utilizando a diplomacia para buscar o bem comum. A equipe de Imprensa registra, com ética e sensibilidade, os momentos marcantes do evento. Já o Staff garante, de forma organizada e discreta, o pleno funcionamento da simulação, sendo essencial para seu sucesso.

Nesta edição, reafirmamos nosso compromisso com a pluralidade de vozes e com a abrangência de pautas que refletem a complexidade do mundo em que vivemos. Ao longo destes dias, os senhores são convidados a se debruçar sobre uma diversidade de temáticas que, embora distintas em natureza e contexto, convergem em um mesmo propósito: o de promover o diálogo, a justiça e a transformação social. Buscamos, assim, não apenas revisitar os dilemas centrais da geopolítica global, mas também dar espaço às causas que, por vezes, foram historicamente negligenciadas — seja pela inércia dos organismos internacionais, seja pela indiferença coletiva. Para isso, contamos, neste ano, com cinco comitês distintos: o Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Comitê de Desarmamento e Segurança Internacional, o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos e o United Nations Historical Security Council, cada qual com seu desafio, sua urgência e sua potência transformadora.

Na edição deste ano, os comitês da SiNUCA assumem desafios de grande relevância histórica e geopolítica. O Conselho de Segurança tem como missão intervir no Níger e na região do Sahel, marcada por pobreza extrema, instabilidade política e terrorismo, buscando restaurar dignidade e humanidade. O Comitê de Desarmamento e Segurança Internacional (DISEC) enfrenta as consequências globais da Guerra ao Terror pós-11 de setembro, equilibrando soberania nacional e paz mundial. O Conselho Econômico e Social discute os impactos socioeconômicos da guerra entre Rússia e Ucrânia, propondo estratégias de auxílio humanitário e reconstrução. A Organização dos Estados Americanos (OEA) analisa os efeitos da Revolução Cubana, avaliando o papel da mediação hemisférica em meio a tensões ideológicas. Já o United Nations Historical Security Council volta a 1950 para debater soluções à Guerra da Coreia, buscando conter o conflito e preservar a estabilidade internacional.

Com tudo isso posto, é fundamental ressaltar a seriedade e a relevância da experiência que estamos vivendo nestes três dias. Durante a simulação, são fielmente reproduzidas as funções de diplomatas em atuação nos principais fóruns multilaterais do planeta, bem como o trabalho criterioso da imprensa internacional e o esforço silencioso, mas indispensável, das equipes de suporte. O bom exercício de cada uma dessas funções não é apenas um requisito técnico para o andamento dos comitês — é, acima de tudo, uma forma de honrar os valores que sustentam a própria existência das Nações Unidas: a escuta, o respeito mútuo, o compromisso com a paz, a dignidade humana e a cooperação entre os povos. Que cada delegado, assessor, jornalista, fotógrafo, staff e organizador tenha plena consciência de que, ao assumir seu papel, não apenas simula: também aprende, representa e transforma.

Se me cabe falar de forma um pouco mais pessoal, é uma honra imensa poder ser Secretário-Geral de uma edição tão simbólica para a história da SiNUCA. Há exatos três anos, no dia 13 de agosto de 2022, terminava a SiNUCA VII, minha primeira simulação. Lembro-me da sensação de sair daquele Conselho de Segurança com os olhos brilhando: foi um sentimento único. Espero, de coração, que tão bem quanto eu me senti finalizando aquela simulação, possam os senhores se sentir com esta. Coloco o Secretariado, os Diretores de Mesa e os Secretários Acadêmicos à disposição de todos para que possamos ajudá-los com quaisquer questões que venham a surgir.

Em sua última fala antes de nos deixar, o Papa Francisco, no domingo de Páscoa, pediu a nós que renovássemos nossa esperança de que a paz ainda é possível. Finalizo pedindo que carreguemos esta mensagem conosco para os nossos debates, de modo que possamos defender nossas causas sempre ancorados na certeza de que temos capacidade para construir um mundo melhor. Agradeço imensamente pela oportunidade de estar aqui e desejo que, juntos, possamos fazer desta a melhor simulação que já tivemos.

Por Murilo Guimarães, Secretário Geral da X SiNUCA, 3ª série do Ens. Médio

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