Experiência de Inserção Sociocultural Magis (Março/2026)

17/03/2026

A Experiência MAGIS de Inserção Sociocultural foi profundamente significativa para nós, tanto no aspecto social quanto, sobretudo, no humano e espiritual. Desde o início, compreendemos que não se trataria apenas de uma atividade de observação, mas de um verdadeiro convite a viver, na prática, aquilo que Santo Inácio nos ensina sobre “amar e servir”. Mesmo atuando em diferentes frentes do SEFRAS (Ação Social Franciscana), partilhávamos o mesmo propósito: permitir-nos ser tocadas pelas realidades que encontrássemos. 

Nossa vivência aconteceu na Casa de Clara, voltada ao público idoso, e no Chá do Padre, que atende pessoas em situação de rua. Ambos os espaços nos proporcionaram aprendizados profundos sobre dignidade, cuidado e compromisso com o outro. 

Na Casa de Clara, o contato com os idosos foi especialmente marcante. Percebemos que o acolhimento vai muito além de suprir necessidades básicas: envolve escuta atenta, paciência, presença e respeito pela história de cada pessoa. As atividades que acompanhamos e realizamos mostraram, de forma concreta, a importância de valorizar aqueles que, muitas vezes, são esquecidos pela sociedade. Aprendemos que cuidar é também estar disponível, reconhecer a dignidade do outro e contribuir para que cada pessoa se sinta vista, respeitada e amada. 

No Chá do Padre, a convivência com pessoas em situação de rua nos colocou diante de uma realidade dura, mas repleta de humanidade. Ali compreendemos, na prática, o que significa combater a fome e promover a dignidade humana. Não se tratava apenas de oferecer alimento, mas também respeito, atenção e acolhimento. Essa experiência nos ensinou que gestos simples, um olhar atento, uma escuta sincera, um sorriso, podem ter um impacto profundo. A justiça social, muitas vezes, começa em atitudes pequenas, mas carregadas de sentido e esperança. 

Humanamente, essa inserção foi transformadora para todas nós. Mais do que conhecer essas realidades, nós as sentimos e vivenciamos. Isso nos fez compreender, de maneira mais profunda, a frase de Santo Inácio: “Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente.” Cada conversa, cada olhar e cada momento de serviço nos ensinou algo que nenhum livro poderia transmitir da mesma forma. Saímos mais sensíveis, mais conscientes e mais comprometidas com o cuidado ao próximo. 

Podemos afirmar que essa experiência foi necessária para o nosso crescimento pessoal e espiritual. A Casa de Clara e o Chá do Padre não foram apenas lugares que visitamos, mas espaços que nos formaram. Levamos conosco a certeza de que acolher, cuidar e defender não são apenas palavras, mas atitudes concretas que transformam tanto a vida de quem é atendido quanto a de quem escolhe servir. 

Por Isadora Ieker, Maria Clara Lafon, Larissa Pires, Nicolle Barbosa e Manuela Pitaluga, participantes da Experiência de Inserção Sociocultural

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