Entre a chuva e o silêncio (Setembro/2026)
Há duas semanas, fui à Casa de Retiros Padre Anchieta com colegas do Colégio Anchieta para mais um encontro com os Exercícios Espirituais. E, talvez porque já soubesse que seriam dias de silêncio, o caminho até o Rio pareceu ainda mais bonito.
Fomos entre conversas, risadas e histórias. A estrada foi leve. Quando chegamos, fomos recebidos por pessoas que cuidaram de tudo com uma delicadeza que não se esquece: a comida saborosa, os espaços, os pequenos gestos. Havia ali um cuidado que nos dizia, sem precisar dizer, que poderíamos simplesmente estar.
E choveu.
O céu nublado, o barulho da chuva, o cheiro do chão molhado. Tudo parecia mais vivo. Nos Exercícios, os sentidos também aprendem a prestar atenção. E eu prestei.
Prestei atenção ao que vinha de fora e, principalmente, ao que vinha de dentro.
O silêncio tem esse jeito bonito de nos devolver algumas coisas que o barulho da vida costuma esconder. Entre as orações, as leituras e os momentos de contemplação, fui escutando novamente algumas perguntas, algumas respostas e, sobretudo, a certeza de que Deus nos conhece de um modo inteiro e particular.
Celebramos ali a Assunção de Nossa Senhora. Maria sempre me toca. Há algo em sua presença que me emociona profundamente: seu amor, sua entrega, sua confiança. Lembrar dela é também lembrar que dizer “sim” pode ser uma forma bonita de amar.
Voltei das leituras com uma certeza que quero guardar: sou única diante de Deus. E é justamente nessa singularidade que encontro o chamado para amar e servir.
Talvez seja isso que o silêncio faça.
Ele não nos afasta da vida.
Ele nos devolve a ela.
Mais atentos. Mais inteiros. Mais disponíveis para a missão que recebemos.
E, quando voltei para casa, ainda havia chuva dentro de mim.
Mas era uma chuva boa.
Daquelas que deixam o chão pronto para recomeçar.
Por Jessica Eyer, Professora do Ensino Médio











