Entre a chuva e o silêncio (Setembro/2026)

17/09/2026

Há duas semanas, fui à Casa de Retiros Padre Anchieta com colegas do Colégio Anchieta para mais um encontro com os Exercícios Espirituais. E, talvez porque já soubesse que seriam dias de silêncio, o caminho até o Rio pareceu ainda mais bonito.

Fomos entre conversas, risadas e histórias. A estrada foi leve. Quando chegamos, fomos recebidos por pessoas que cuidaram de tudo com uma delicadeza que não se esquece: a comida saborosa, os espaços, os pequenos gestos. Havia ali um cuidado que nos dizia, sem precisar dizer, que poderíamos simplesmente estar.

E choveu.

O céu nublado, o barulho da chuva, o cheiro do chão molhado. Tudo parecia mais vivo. Nos Exercícios, os sentidos também aprendem a prestar atenção. E eu prestei.

Prestei atenção ao que vinha de fora e, principalmente, ao que vinha de dentro.

O silêncio tem esse jeito bonito de nos devolver algumas coisas que o barulho da vida costuma esconder. Entre as orações, as leituras e os momentos de contemplação, fui escutando novamente algumas perguntas, algumas respostas e, sobretudo, a certeza de que Deus nos conhece de um modo inteiro e particular.

Celebramos ali a Assunção de Nossa Senhora. Maria sempre me toca. Há algo em sua presença que me emociona profundamente: seu amor, sua entrega, sua confiança. Lembrar dela é também lembrar que dizer “sim” pode ser uma forma bonita de amar.

Voltei das leituras com uma certeza que quero guardar: sou única diante de Deus. E é justamente nessa singularidade que encontro o chamado para amar e servir.

Talvez seja isso que o silêncio faça.

Ele não nos afasta da vida.

Ele nos devolve a ela.

Mais atentos. Mais inteiros. Mais disponíveis para a missão que recebemos.

E, quando voltei para casa, ainda havia chuva dentro de mim.

Mas era uma chuva boa.

Daquelas que deixam o chão pronto para recomeçar.

Por Jessica Eyer, Professora do Ensino Médio

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