Santo Inácio para Jovens – Primeira parte (Julho/2026)

31/07/2026

Olá novamente!

Agora quero contar a vocês o segundo capítulo da minha história. Foi nele que tudo mudou. Em 1521, aos 30 anos, surgiu a oportunidade que eu tanto esperava: participar de uma grande batalha em Pamplona. Eu acreditava que aquele seria o momento de conquistar fama, honra e reconhecimento. Lutei com toda a minha força, mas um tiro de canhão atingiu minha perna e destruiu todos os meus planos.

Além da dor física, enfrentei um longo período de recuperação. Naquela época não existiam anestesia, antibióticos ou os recursos da medicina que vocês conhecem hoje. Sofri muito e, junto com a dor, veio a tristeza de ver meus sonhos desmoronarem. Passava horas deitado, sem forças e sem esperança. Eu já não sabia qual seria o sentido da minha vida. Para distrair a mente, pedi os romances de cavalaria que tanto gostava de ler. Mas, na casa onde eu me recuperava, havia apenas dois livros: a Vida de Cristo e a vida dos santos.

No início, li porque não tinha outra opção. Sem perceber, aquelas páginas começaram a transformar meu coração. Enquanto os romances de cavalaria me deixavam animado apenas por alguns instantes, aquelas novas leituras despertavam em mim uma paz profunda, que permanecia por muito mais tempo. Aos poucos, comecei a perceber que existiam sentimentos que me aproximavam da verdadeira felicidade e outros que apenas me iludiam.

Foi assim que nasceu aquilo que mais tarde chamariam de discernimento: aprender a reconhecer o que realmente faz bem ao coração. Depois de muita oração, reflexão e silêncio, compreendi que Deus me convidava para um novo caminho. Deixei minha espada, abandonei a vida na corte e passei a caminhar como peregrino. Em lugares como Montserrat e Manresa vivi profundas experiências espirituais. Ali comecei a escrever aquilo que mais tarde se tornaria os Exercícios Espirituais, um caminho de oração e autoconhecimento que, ainda hoje, ajuda milhares de pessoas a encontrar sentido para a vida.

Meu desejo era permanecer em Jerusalém, mas Deus tinha outros planos para mim. Voltei a estudar. Já era adulto e sentei novamente nos bancos da escola ao lado de crianças e adolescentes. Não foi fácil, mas entendi que aprender também era uma forma de servir melhor. Mais tarde, em Paris, conheci jovens como Francisco Xavier e Pedro Fabro. Tornamo-nos grandes amigos, unidos pelo desejo de seguir Jesus e transformar o mundo. Dessa amizade nasceu, em 1540, a Companhia de Jesus.

Nossa missão era anunciar o Evangelho, educar, servir aos mais necessitados e ajudar as pessoas a descobrir que Deus continua chamando cada um para uma vida cheia de sentido. Esses continuam sendo os sonhos dos jesuítas espalhados pelo mundo e também das escolas da Companhia de Jesus, como o Colégio Anchieta.

Talvez os sonhos de vocês sejam diferentes dos meus. Vocês sonham com uma profissão, viajar, formar uma família, conquistar seus objetivos ou fazer sucesso. Sonhar é bom. O importante é descobrir quais sonhos trazem paz ao coração e quais apenas oferecem uma alegria passageira. Ao longo da minha vida aprendi que existem sentimentos que nos aproximam de Deus, do amor e da verdadeira felicidade, enquanto outros nos deixam vazios.

Por isso, vale a pena fazer silêncio, olhar para dentro de si e aprender a discernir. Ninguém faz esse caminho sozinho. Eu também precisei de amigos, mestres e companheiros para descobrir minha missão. Hoje continuo acreditando que a espiritualidade inaciana pode ajudar vocês a viverem com mais liberdade, discernimento, amizade, generosidade e desejo de fazer o bem. Nós somos peregrinos. Cada um está percorrendo seu próprio caminho, descobrindo seus dons e buscando realizar seus sonhos com Deus.

E vocês… qual é a paixão que faz o coração de vocês bater mais forte?

Por Pe. José Carlos, Agente de Pastoral da Formação Cristã

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