Flicts: o teatro como espaço de acolhimento e pertencimento (Outubro/2025)

23/10/2025

Dirigir uma peça de teatro em ambiente escolar é sempre um desafio, mas também uma oportunidade única de ver a arte cumprir sua função mais profunda: provocar reflexões, criar laços e transformar vidas. A montagem de “Flicts”, inspirada na obra de Ziraldo, trouxe exatamente isso. Mais do que um espetáculo, ela se tornou uma experiência coletiva, onde alunos e professores puderam refletir sobre temas fundamentais como aceitação das diferenças, bullying e pertencimento. 

Na história, Flicts é uma cor diferente das demais. Enquanto todas encontram seu espaço — no arco-íris, nas bandeiras, na natureza —, Flicts é rejeitada. Não se encaixa, não pertence, não é reconhecida. É uma metáfora sensível e atual, que dialoga diretamente com o que vemos entre jovens e adolescentes: o desejo de pertencer, de ser aceito, de encontrar o próprio lugar no mundo. 

Ao trazer esse universo para o palco, buscamos ir além da encenação. A peça tornou-se um convite à reflexão: quantas vezes já nos sentimos como Flicts? Quantas vezes rejeitamos o que é diferente, por medo ou preconceito? E como podemos construir uma comunidade mais acolhedora, onde cada cor — cada pessoa — tenha o seu valor? 

Esse processo só foi possível graças a uma parceria especial. Tive a honra de dividir a direção com Tânia Noguchi e Adriana Xavier, que trouxeram olhares complementares, sensibilidade artística e dedicação integral. Juntos, criamos um espaço de experimentação em que cada aluno pôde viver o teatro não apenas como técnica, mas como linguagem de vida e autoconhecimento. 

O teatro, dentro da escola, cumpre um papel essencial. Ele é ferramenta de educação e de acolhimento. No palco, os estudantes refletem sobre seus dilemas, aprendem a trabalhar em grupo, a ouvir e respeitar o outro. A prática teatral abre espaço para a empatia, desenvolve sensibilidade e mostra, de forma concreta, que a diversidade é a força que nos move como sociedade. 

Mais do que formar atores, o teatro forma cidadãos conscientes e humanos. A experiência com “Flicts” mostrou que a arte pode ser um caminho contra o bullying e a exclusão, lembrando aos jovens que não estão sozinhos em suas cores, diferenças e singularidades. 

Convidamos toda a comunidade escolar, famílias e amigos a prestigiar este espetáculo. Assistir a “Flicts” é mais do que acompanhar uma peça: é participar de uma celebração das cores e da diversidade. Que cada espectador leve consigo a certeza de que há espaço para todas as cores — inclusive para aquelas que o mundo ainda não aprendeu a enxergar. 

Bernardo Dugin, Diretor do Teatro Amador do Colégio Anchieta 

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