Santo Inácio para Jovens – Primeira parte (Julho/2026)
Olá, galera do Colégio Anchieta!
Vou me apresentar e contar um pouco da minha história. Vivi há alguns séculos, muito antes de vocês e até mesmo dos seus pais. O tempo nos separa, mas isso não impede a troca de experiências. Podemos nos ajudar mutuamente: eu, compartilhando minha história de vida e minha experiência espiritual; vocês, trazendo seus sonhos, esperanças e inquietações. Provavelmente alguns de vocês já ouviram falar de mim e, de alguma forma, já vivenciaram minha espiritualidade, conhecida como Espiritualidade Inaciana.
Meu nome é Inácio de Loyola. Nasci em 1491, em uma casa conhecida como Castelo de Loyola, em Azpeitia, na região Basca da Espanha. Sou o caçula de treze irmãos. Cresci nesse casarão, em um ambiente nobre, cercado de alguns privilégios. Minha educação foi direcionada para servir à corte, que era o sonho da maioria dos jovens da minha época.
Na corte estava o centro do poder político, da elegância social e da vida em torno do rei e dos grandes nobres. Esse ambiente moldou meus sentimentos, desejos, esperanças e inquietações. Para mim, viver na corte significava alcançar status, vestir roupas luxuosas, conquistar fama, honra, prestígio militar, reconhecimento social e também viver grandes histórias de amor. Afinal, qual jovem hoje também não sonha em encontrar alguém especial para compartilhar a vida? Esses sentimentos e desejos atravessam os séculos. Eles acompanham as pessoas desde a juventude e continuam presentes ao longo da vida. Mudam as formas de expressá-los, mas o coração humano continua buscando amar, ser reconhecido e realizar seus sonhos.
Na corte aprendi diplomacia, etiqueta, dança e o manejo das armas, especialmente da espada. Tornei-me um homem valente e corajoso, mas também impulsivo. Não tolerava insultos e acreditava que muitos conflitos deveriam ser resolvidos em duelos. Primeiro servi a Juan Velázquez de Cuéllar, ministro do rei Fernando. Depois, ao Duque de Nájera. Permaneci vivendo esse sonho até meus 26 anos. Eram belos sonhos… belos desejos… grandes esperanças.
E vocês? Quais sentimentos movem o coração de cada um? Eles são realmente tão diferentes dos meus e dos jovens que viveram entre 1491 e 1517? Talvez as palavras tenham mudado. Talvez os caminhos para realizar os sonhos sejam outros. Mas os desejos permanecem. Hoje eles podem aparecer no desejo de reconhecimento, sucesso, dinheiro, tecnologia, carros, medalhas, fama, curtidas nas redes sociais ou tantas outras conquistas. Na minha época também era assim. Muitos jovens sonhavam com reconhecimento, riqueza e prestígio. As jovens desejavam homens valentes, bem-sucedidos e pertencentes a famílias importantes.
O que ninguém sabe é como será o futuro. Eu também não sabia. Desejava intensamente conquistar tudo aquilo que ocupava meus pensamentos. Minha imaginação criava cenas do futuro que eu sonhava viver. Eu me via conquistando vitórias, recebendo honrarias e sendo admirado por todos. Pensava em como poderia melhorar minhas estratégias, desenvolver minhas habilidades e alcançar aquilo que tanto desejava. Minha memória, minha imaginação e meus pensamentos trabalhavam juntos, alimentando esses sonhos.
Eu era inteligente para aquele tipo de formação e dedicava meu tempo aos valores que considerava importantes naquele momento. E vocês? Quais valores ocupam o tempo de vocês todos os dias? Gostaria de conhecer um pouco das suas imaginações, dos sonhos que alimentam, dos planos que fazem e do futuro que desejam construir.Fazer esse exercício é muito importante. Quando refletimos sobre nossos sonhos, nosso coração vai se tornando mais sensível. E, quando descobrimos aquilo que realmente amamos, somos capazes de dedicar toda a nossa energia para transformar esse sonho em realidade. Espero que cada um de vocês encontre uma paixão verdadeira, algo que dê sentido à vida e desperte o melhor que existe dentro de vocês. Eu sempre fui assim: apaixonado.
Fui um menino apaixonado, um jovem apaixonado e continuei assim durante toda a minha vida. Ainda hoje, quando vejo os jesuítas e tantas pessoas que fazem parte dessa grande missão — nos colégios, nas universidades, nos trabalhos sociais e na espiritualidade — dedicando suas vidas ao serviço dos outros, meu coração se enche de alegria. Fico profundamente emocionado. Na linguagem da Espiritualidade Inaciana, diríamos que experimento uma grande consolação.
Mas essa é apenas uma parte da minha história. Ela pertence ao primeiro capítulo da minha vida e fala da minha primeira grande paixão. Foi intensa, verdadeira e importante. Porém, ela preparou o caminho para uma paixão ainda maior. No próximo capítulo, meus sonhos, desejos, esperanças e projetos mudam completamente de direção. A paixão continua viva, mas agora tem um novo objetivo.
Essa travessia não foi fácil. Exigiu muito esforço, muitos exercícios interiores e uma profunda transformação do coração. Passei a me perguntar qual era, de fato, o sentido da minha vida. Para que eu estava vivendo? Onde estavam minhas verdadeiras alegrias? O que realmente me trazia paz? Em que lugar meu coração encontraria descanso, serenidade e plenitude?
Por Pe. José Carlos, Agente de Pastoral da Formação Cristã












