Será que a alimentação diária do seu filho ajuda no processo de aprendizagem? (Junho/2023)

19/06/2023

Quando se fala de alimentação saudável, muitas vezes o primeiro pensamento é emagrecimento, perda de peso, mas cuidar da alimentação vai além da estética, do peso e do físico.  É através da alimentação que nutrimos nosso corpo, ou seja, fornecemos calorias e nutrientes como vitaminas e minerais, que são responsáveis por mantê-lo funcionando de forma adequada.

Infelizmente, a grande maior parte das pessoas adotam uma rotina alimentar inflamatória, ou seja, rica em alimentos industrializados, açucarados e com excessos de conservantes, além das faltas de nutrientes destes alimentos.

Muitas crianças e jovens não comem nada pela manhã e, muitas vezes, optam por salgados, sucos de caixas, biscoitos, ou seja, alimentos que contribuem para a inflamação do corpo. Sem contar que frutas, verduras e legumes sempre estão em pequenas quantidades.

Uma alimentação inflamatória contribui para excesso de calorias, que pode levar ao sobrepeso e a obesidade, mas também pode prejudicar o desenvolvimento de crianças e jovens, já que estes alimentos são ricos em açúcares e gorduras, mas sobretudo pobres em vitaminas e minerais: as famosas calorias vazias.

Nossas células, para gerar energia, utilizam alimento e oxigênio. Esse processo também gera radicais livres, produtos normais do metabolismo celular. Até aí, tudo bem. Mas onde mora o problema?

Quando todo esse processo está intensificado e, por consequência, produzimos muitos radicais livres, esse quadro é chamado de estresse oxidativo. Uma alimentação inflamatória resulta em uma produção excessiva de radicais livres, que acabam agredindo as próprias células, como se fossem uma ferrugem.

As células ficam lentas, doentes, com a diminuição dos seus metabolismos essenciais para o corpo. O resultado é a sensação de memória ruim, lentidão, cansaço, falta de concentração e atenção.

E preciso ressaltar que uma rotina alimentar rica em açúcares e carboidratos de alto índice glicêmico, contribui para deixar as crianças e jovens mais elétricos, desatentos e ansiosos.

Então, dar atenção à alimentação diária do seu filho vai contribuir para o desenvolvimento escolar e processo de aprendizagem. Vitaminas do complexo B, D, A, C são importantes neste processo. Portanto, faça exames anuais e uma avaliação com o(a) nutricionista.

A Colina é um nutriente que tem papel na memória e na aprendizagem, e está presente em carnes, frangos e ovos. Logo, não esqueça de fornecer proteínas ao seu filho em todas as refeições.

O magnésio está relacionado à função neural e está presente em folhoso verde escuro, abacate, castanhas e amendoim.

Já a B1 é responsável por várias reações enzimáticas, especialmente a nível neural, então incluir alimentos integrais e leguminosas.

Como nutricionista, peço que olhe com mais estratégia para alimentação do seu filho. Não estou falando de radicalismo, mas de sensatez. Investir em uma alimentação equilibrada pode gerar benefícios em várias áreas da vida. Crianças e jovens não precisam da comida só porque precisam de energia, precisam de nutrientes para se desenvolverem.

Por Jacqueline Thedim, antigo aluna do Colégio Anchieta

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