Tempo Pascoal: A Vida que nos chama a nova vida (Abril/2026)
Estamos vivendo o Tempo Pascoal, um período luminoso do ano litúrgico da Igreja. Depois de percorrermos um caminho quaresmal onde somos chamados a caminhar com passos mais austeros e comedidos, chegamos à festa da Páscoa na qual a Igreja celebra a vitória do poder do amor sobre o mal e da morte: Jesus Cristo vence todo estratagema e o embuste daqueles que vivem pelo ódio e ganância visando apenas o próprio bem. Com a sua Ressurreição, Jesus mostra que nenhuma força pode parar o poder do amor, que é o poder do próprio Deus. E é por isso que a Pascoa cristã não é apenas a recordação de um acontecimento passado, mas a celebração de um mistério vivo: Jesus, ressurreto, que continua presente no meio de nós, renovando a esperança e mostrando para nós um caminho de vida nova.
A palavra “Páscoa” significa passagem. No Antigo Testamento, recorda a passagem do povo de Israel da escravidão para a liberdade. Para nós cristãos, porém, esse sentido se aprofunda: em Jesus acontece a passagem definitiva da morte para a vida. Pela sua paixão, morte e ressurreição, Cristo revela que o amor de Deus é mais forte do que o pecado, e de que seu fruto: que é a morte e tudo o mais que nos desumaniza. Pois bem, Cristo, nossa Páscoa, vitorioso, nos liberta da escravidão do pecado, e de ficarmos presos em nós mesmos nos interpelando a uma nova vida na qual olhamos para fora, para o outro, para quem precisa, para aqueles que ninguém quer olhar. Celebrar a Páscoa é celebrar a esperança de uma vida digna para todos.
Tais virtudes são alimentadas em nós e exortadas como verdades de fé através da liturgia da Igreja. Pois, a Páscoa não se resume apenas ao domingo da Ressurreição. Ela se estende por cinquenta dias, formando o chamado Tempo Pascal, que vai do Domingo da Páscoa até a solenidade de Pentecostes. Esses cinquenta dias são vividos como um único grande domingo, um tempo de alegria que perdura e que a comunidade cristã contempla as aparições do Ressuscitado, aprofundando a fé na presença de Cristo vivo e que está presente hoje em cada pessoa, principalmente nas que sofrem, como nos lembra o Papa Leão XIV em sua exortação apostólica: Dilexi Te:
“É inegável que o primado de Deus no ensinamento de Jesus é acompanhado por outro princípio fundamental, segundo o qual não se pode amar a Deus sem estender o próprio amor aos pobres. […] Senhor nos ensina que qualquer ação de amor pelo próximo é, em algum modo, um reflexo da caridade divina: «Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).”
Durante esse tempo, a liturgia nos convida a viver esta vida nova que brota da Ressurreição. Na qual somos chamados a ser pessoas mais conscientes para perceber a presença de Cristo no outro, mais comprometidas com o Jesus que sofre nos mais necessitados, esforçadas para ser mais competentes em trabalhar pelo Reino e Missão e compassivas para levar a paz como o divino mestre ensinou.
Portanto, viver o Tempo Pascal é deixar que a Ressurreição transforme nossa maneira de ver e agir no mundo. Permitindo que a esperança renasça em nosso coração e nos mova a construir, com gestos concretos, relações mais fraternas, solidárias e comprometidas com a vida. Inspirados pelo Ressuscitado e atentos ao chamado da Campanha da Fraternidade, somos convidados a fazer de nossas comunidades e de nossas casas lugares de vida, acolhida, abrigo e dignidade, sinais reais de que Cristo vive e continua “morando entre nós”.
Por Fernando Freitas, Agente Pastoral












