A Desvalorização da Agricultura Familiar e a Expansão do Agronegócio no Brasil (Novembro/2025)
Em meados do século XIX, a Lei de Terras foi responsável por legalizar a posse, a compra e a venda de terrenos utilizados, principalmente, para fins agrícolas. Nesse contexto, a produção agrícola aumentou; contudo, a medida também contribuiu para a redução da valorização dos pequenos produtores. Isso ocorreu em razão da concentração de um grande número de terras sob o controle de poucos proprietários, juntamente com a expansão intensiva do agronegócio no Brasil, observada nas últimas décadas.
Em primeiro lugar, faz-se necessário destacar a influência do sistema de mercado capitalista no modelo agropecuário contemporâneo. O capitalismo busca padronizar a produção, minimizar custos e maximizar o lucro, afetando de maneira direta os pequenos produtores rurais. Sob essa ótica, grandes empresários, detentores de vastas extensões de terras férteis, concentram seus investimentos na exportação de commodities, como a soja, prejudicando a agricultura familiar e reduzindo as oportunidades de sustento dos pequenos empreendedores rurais.
Outrossim, ganha relevância o crescimento do agronegócio impulsionado pelos avanços tecnológicos no campo. Nesse sentido, a Revolução Verde representou uma fase de intenso desenvolvimento científico no meio rural, marcada pela criação e aperfeiçoamento de pesticidas, agrotóxicos e pela mecanização da produção. Paralelamente, a difusão do mercado agropecuário, somada aos avanços tecnológicos, resultou em desemprego e perda de renda para inúmeras famílias, visto que a agricultura familiar, segundo a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, é responsável por mais de 80% dos alimentos consumidos pela população brasileira. Assim, os desafios enfrentados pelos pequenos produtores tornam-se cada vez mais evidentes.
Portanto, medidas devem ser adotadas para garantir a valorização da agricultura familiar no país. Nessa perspectiva, cabe ao Governo Federal, por meio da implementação e ampliação de políticas como a reforma agrária, promover a redistribuição de terras inativas ou subutilizadas para pequenos empreendedores rurais. Dessa forma, será possível alcançar maior reconhecimento da produção familiar, bem como melhorar o bem-estar social e econômico dessa parcela da população.
Pedro Freitas Huguenin, Aluno da 3ª Série do Ensino Médio












