A importância da participação ativa familiar (Março/2026)

19/03/2026

No filme “Mussum: O Filmis”, disponível na plataforma digital Globoplay, é retratada a experiência de Malvina, uma mulher analfabeta, ao enfrentar dificuldades para tentar ajudar seu filho com atividades escolares. De maneira semelhante ao contexto cinematográfico, é possível observar que, infelizmente, muitas crianças ainda sofrem pela ausência de apoio familiar frente aos estudos, o que urge ser debatido. Assim, nota-se que o óbice ocorre, principalmente, pelas desigualdades sociais e pela negligência parental. 

Em primeira análise, é imprescindível esclarecer que as desigualdades observadas no Brasil não permitem um bom auxílio familiar a todos os infantes. Segundo o sociólogo José Murilo de Carvalho, no país existe uma sociedade de exclusões, ou seja, sempre há pessoas que sofrem com dificuldades financeiras e preconceituosas, como ocorre com muitos alunos da rede de ensino básica. Nessa perspectiva, percebe-se que devido à recorrente inequidade entre brasileiros, os indivíduos mais pobres e os analfabetos, por exemplo, não conseguem comprar jogos educativos e livros que ajudem a ensinar seus filhos. Isso resulta na dificuldade de estabelecimento de laços afetivos e no desenvolvimento de hábitos que estimulem a mente, o que precisa mudar. 

Ademais, é conveniente ressaltar que a negligência por parte da família também é um fator que contribui para a perpetuação da problemática. Desse modo, cabe destacar a série “Stranger Things”, disponível na Netflix, na qual as vidas de alguns alunos são apresentadas, como a da personagem Maxine, adolescente que passa a enfrentar problemas na escola porque sua mãe não a ajuda nem na realização de tarefas domésticas. De forma análoga aos seriados, é notório que, na contemporaneidade brasileira, diversos jovens passam por problemas em casa com os próprios familiares e, frequentemente, negligenciam a própria vida escolar com a formação dos jovens, o que deve ser revertido rapidamente. 

Infere-se, portanto, que, para uma plena resolução da mazela, medidas devem ser tomadas com urgência. Logo, o Ministério da Educação deve investir no desenvolvimento de políticas educacionais no Brasil, deve proporcionar acesso a livros grátis aos alunos que não podem comprá-los. Isso será realizado por meio de maiores investimentos na rede pública, a fim de proporcionar uma boa educação de qualidade para aqueles que não podem comprar ou para os cidadãos cujos pais não querem ajudar na formação socioeducacional. Dessa forma, problemas como o de “Mussum: O Filmis” serão menos frequentes no país. 

Por Ana Beatriz Miele, aluna da 3ª série do ensino médio

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