A invisibilidade das famílias monoparentais nas políticas públicas brasileiras  (Junho/2025)

11/06/2025

O filme brasileiro “Minha Mãe é uma Peça” retrata a vida de Dona Hermínia, uma mulher que faz o papel de mãe e cuida de seus dois filhos sem o auxílio de uma segunda pessoa, fazendo com que ela passe por momentos difíceis, nos quais é julgada e marginalizada. De maneira semelhante ao contexto cinematográfico, percebe-se que as famílias monoparentais – tanto pela parte feminina quanto pela masculina – sofrem com a invisibilidade nas políticas públicas da contemporaneidade brasileira, o que urge ser debatido. Nesse contexto, nota-se que a mazela ocorre, principalmente, pela falta de valorização das mudanças culturais e pela negligência estatal. 

 Em primeira análise, é imprescindível esclarecer que a desvalorização das transformações culturais é um fator que contribui para a invisibilidade desse grupo social. Desse modo, destaca-se o censo de 2022, realizado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – que aponta que 45% das famílias não seguem o modelo tradicional no país. No entanto, é possível perceber que, apesar de comporem grande parcela da população, as novas configurações familiares ainda enfrentam a vulnerabilidade social, que se deve à falta de reconhecimento das mudanças sociais, como a maior autonomia das mulheres. Isso resulta na falta de políticas eficientes, acarretando em desigualdades observadas no acesso a serviços básicos, por exemplo saúde e educação. 

Outrossim, é conveniente ressaltar que a ineficiência governamental é um agravante ao empecilho. Dessa forma, nota-se que o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988 garante os direitos sociais de todos, como a segurança, a alimentação e a moradia. Entretanto, observa-se que, apesar do desenvolvimento de leis como essa e de não existirem lacunas na legislação, alguns grupos sociais, como famílias constituídas por um único genitor responsável, ainda são excluídos e marginalizados, visto que a falta de fiscalizações causa a ineficiência das políticas e, consequentemente, a ausência do asseguramento dos mesmos direitos a todos. 

Portanto, para que a problemática seja resolvida, faz-se urgente que medidas sejam tomadas. Logo, o governo federal, órgão responsável por promover ações em prol do bem-estar da população, deve realizar as políticas públicas já existentes de forma eficiente, incluindo todas as configurações familiares. Isso será feito por meio de maiores investimentos em programas sociais, a fim de garantir que as famílias monoparentais não sofram com a invisibilidade. Dessa maneira, o Brasil será um país mais inclusivo e o preconceito do filme “Minha Mãe é uma Peça” não será mais observado. 

Por Ana Beatriz Miele, Aluna da 2 ª série do Ensino Médio

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