Antigos alunos: Maria Ligia Pinto Schueller (1983) (Fevereiro/2023)

02/02/2023

REMINISCÊNCIA

Sempre que chego em Nova Friburgo, ao vislumbrar o velho Casarão Amarelo, meu coração se enche de nostalgia. Sua imponência logo se apresenta ao ser avistado. Meu coração acelera e as lembranças fluem. São memórias de um tempo bom ali vivido e que afloram em sentimentos e saudades. Quantas histórias, amores, encontros e desencontros devem povoar aquele lugar.

Cada lugar onde passamos nos marcam de alguma maneira, mas o Casarão Amarelo foi em minha vida um espaço onde aprendi sobre minha essência.

Aquelas paredes antigas guardam memórias de uma juventude cheia de esperanças, com expectativas de um futuro cheio de sonhos. Era os olhos de menina do interior, onde cada coisa que se abria era um mundo novo que despontava.

Quando paro e lembro daqueles dias, cada lembrança é cheia de alegria. Meus professores, grandes mestres, trouxeram luz. Eram muito mais que “formadores do saber”, eram “formadores do ser”. Eu me sentia protegida, amparada. Trouxeram para minha vida consciência social, espiritualidade, amor pela arte e literatura, respeito mútuo, amor ao próximo e tantos outros sentimentos essenciais para a formação humana. Contribuíram com muita sutileza, a formação de quem sou hoje. Talvez muitos deles não tenham noção de como chegaram ao meu coração.

Não poderia deixar de falar dos grandes amigos que fiz, pessoas que trago em meu coração e que ajudaram a trilhar meu caminho. Pessoas que, como eu, vindos de cidade pequena estavam em busca de preparo para o futuro. Formamos um bom grupo. Estudávamos juntos e foi onde encontrei quem me ajudasse nas dificuldades que apareciam nos estudos e me completavam quando a saudade de casa batia forte. Amigos bons, aqueles que, como dizia Milton Nascimento, guardamos do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não.

Em cada canto, degrau, corredor ecoam risadas, conversas, músicas, amizade. Era a cumplicidade ingênua de convivência prazerosa. Cada uma das salas e colegas com quem estudei estão guardadas com muito carinho. Foram partilhas inesquecíveis. Cada pessoa que cruzou meu caminho pelos corredores e jardins do Casarão Amarelo tem um lugar especial na minha história.

Sou grata a Deus por tudo o que vivi e por fazer parte do querido Colégio Anchieta. Muito orgulho dessa instituição de ensino. A todos que também fazem parte dessa história, meu respeito e admiração. Deixo para vocês, amigos queridos que comigo viveram essa extraordinária experiência, o aconchego pessoal do aperto de mão do saudoso Padre Selvaggi. Só quem viveu sabe o que é

Por Maria Ligia Pinto Schueller, antiga aluna da turma de 1983.

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