Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário brasileiro (Junho/2026)
Na novela infantil “Chiquititas”, produzida pela TV SBT, são retratadas algumas crianças que, como forma de expressão artística, realizam pinturas nos muros da comunidade onde vivem. Assim como no contexto cinematográfico, é possível perceber que milhares de cidadãos buscam a arte periférica como forma de manifestação na contemporaneidade. No entanto, a valorização desse tipo de ofício, infelizmente, ainda é comprometida, o que precisa ser debatido. Dessa forma, nota-se que o óbice ocorre, principalmente, pela falta de apoio estatal e pelo preconceito estrutural.
Em primeira análise, é imprescindível esclarecer que a ineficácia governamental frente ao incentivo da prática da arte de periferia é um fator que contribui para a perpetuação da problemática. Nesse sentido, destaca-se a Lei nº 14.996, responsável por reconhecer, entre diferentes expressões, o grafite como forma de manifestação cultural brasileira. Todavia, é notório que, apesar da elaboração de leis como essa e de não existirem lacunas na legislação, o Estado ainda é falho no que tange à valorização dessa arte, uma vez que os incentivos financeiros e as políticas públicas de integração social são escassos. Isso resulta na limitação do pensamento crítico da população, já que essas manifestações são vistas como inferiores, o que deve ser debelado.
Ademais, é conveniente ressaltar que o preconceito histórico também constitui um fator que agrava o empecilho. Nessa perspectiva, cabe citar o documentário “A criminalização da arte periférica e da cultura de periferia”, obra disponível na plataforma digital YouTube, que retrata as dificuldades da população moradora de periferias em relação ao reconhecimento social de suas artes. Nesse contexto, é perceptível que, na atualidade, indivíduos que buscam a arte de periferia, como grafites, funks e raps, são frequentemente marginalizados, visto que, devido às heranças históricas, o senso comum considera que outras manifestações, como pinturas e músicas clássicas, são melhores e mais aceitas socialmente. Isso traz como consequência a continuidade do preconceito e da luta da população periférica por representatividade.
Portanto, para que a mazela seja plenamente solucionada, faz-se urgente que medidas sejam tomadas. Logo, o Governo Federal, órgão responsável por promover políticas em prol do bem-estar da população, deve aplicar as leis já existentes de forma eficiente. Isso será feito por meio de projetos que busquem incentivar financeiramente a arte periférica como forma de manifestação cultural do Brasil, a fim de acabar com o preconceito estrutural existente em relação a essas expressões artísticas.












