Formar para o mundo: fases históricas e Educação Bilíngue no Colégio Anchieta (Abril/2026)

16/04/2026

Ao celebrar 140 anos de história, o Colégio Anchieta de Nova Friburgo reafirma sua identidade como uma instituição em constante movimento. O Casarão Amarelo se apresenta fiel às suas raízes e, ao mesmo tempo, aberto às inovações. Mais do que uma trajetória cronológica, sua história revela um percurso formativo inspirador, marcado por diferentes fases. 

Fundado em 1886 como internato, o Colégio Anchieta nasce com o propósito de oferecer uma formação sólida, intelectual e humana, acolhendo estudantes de diferentes regiões do Brasil. Essa primeira fase foi marcada pelo compromisso acadêmico e pela construção de uma tradição educativa que se tornaria referência ao longo dos anos. 

Na segunda fase histórica, entre 1923 e 1966, o colégio amplia sua atuação ao tornar-se espaço de formação religiosa e acadêmica, abrigando a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, além do noviciado. Esse segundo período consolida o Anchieta como um centro de formação integral, em diálogo com as demandas educacionais e espirituais. 

Já a terceira fase, iniciada em 1966, representa uma transformação significativa em sua configuração: o colégio deixa de ser internato e passa a funcionar como externato, abrindo-se ainda mais ao mundo. A inclusão de alunas e a ampliação do acesso à educação refletem um movimento de adaptação às mudanças sociais, fortalecendo sua presença e seu compromisso com uma educação inclusiva. 

Hoje, ao vislumbrarmos a quarta fase de sua história, o Casarão Amarelo vive um tempo de ampliação de horizontes. Esse momento se expressa especialmente no desenvolvimento de uma proposta de educação bilíngue, que conecta o local ao global. Mais do que o ensino de uma língua adicional, trata-se de uma proposta que integra representações linguísticas e culturais diversas, promovendo a formação de estudantes capazes de dialogar e atuar em diferentes contextos e realidades. 

Curiosamente, essa abertura ao mundo não é novidade em nossa história. Como destaca o Diretor Geral do Colégio Anchieta, Pe. Antonio Monnerat, ao revisitar registros do passado, “o colégio não era bilíngue, mas ensinava-se cinco línguas aqui dentro, e era um colégio aberto para o mundo (…). O mundo inteiro entrava aqui”. Mesmo em seu tempo de internato, o Anchieta já se constituía como um espaço de encontro entre saberes e experiências globais. 

Nesse sentido, formar para o mundo sempre fez parte da identidade do Casarão Amarelo. A educação bilíngue no Colégio Anchieta tem como compromisso central o desenvolvimento da cidadania global, da interculturalidade e da formação de sujeitos conscientes, competentes, compassivos, comprometidos e criativos. Ao integrar língua e conteúdo, fortalecem-se práticas pedagógicas que favorecem a construção de sentido, o protagonismo estudantil e a aprendizagem significativa. 

Celebrar 140 anos do Colégio Anchieta é reconhecer que sua história não está apenas no passado, mas se constrói, diariamente, nas experiências vividas por toda a comunidade anchietana. É compreender que cada fase não encerra um ciclo, mas abre caminhos para novos começos. 

Educating for the World: Historical Phases and Bilingual Education at Colégio Anchieta 

As it celebrates 140 years of history, Colégio Anchieta in Nova Friburgo reaffirms its identity as an institution in constant evolution. The Casarão Amarelo remains faithful to its roots while embracing innovation. More than a chronological trajectory, its history reveals an inspiring educational journey shaped by distinct phases.  

Founded in 1886 as a boarding school, Colégio Anchieta was established with the purpose of providing a solid intellectual and human formation, welcoming students from different regions of Brazil. This first phase was marked by strong academic commitment and the foundation of an educational tradition that would become a reference over time.  

In its second historical phase, between 1923 and 1966, the school expanded its role by becoming a center for both religious and academic formation, hosting the Faculty of Philosophy, Sciences and Letters, as well as the novitiate. This period consolidated Anchieta as a space for integral formation, aligned with educational and spiritual demands.  

The third phase, beginning in 1966, marked a significant transformation: the school transitioned from a boarding school to a day school, opening itself even further to the world. The inclusion of female students and the expansion of access to education reflected a response to social changes, strengthening its commitment to inclusive education.  

Today, as we look ahead to the fourth phase of its history, the Casarão Amarelo is experiencing a time of expanding horizons. This moment is especially reflected in the development of a bilingual education proposal that connects the local to the global. More than the teaching of an additional language, it is a proposal that integrates diverse linguistic and cultural perspectives, preparing students to engage and act in different contexts and realities.  

Interestingly, this openness to the world is not new in our history. As highlighted by the Head of School, Fr. Antonio Monnerat, when revisiting past records, “the school was not bilingual, but five languages were taught here, and it was a school open to the world […]. The whole world entered here.” Even during its boarding school period, Anchieta was already a meeting place for global knowledge and experiences.  

In this sense, educating for the world has always been part of the Casarão Amarelo’s identity. Bilingual education at Colégio Anchieta is grounded in the development of global citizenship, interculturality, and the formation of individuals who are conscious, competent, compassionate, committed, and creative. By integrating language and content, pedagogical practices are strengthened to promote meaning-making, foster student agency, and support meaningful learning.  

Celebrating 140 years of Colégio Anchieta means recognizing that its history is not confined to the past, but is built daily through the experiences of its entire community. Each phase does not mark an end, but rather opens pathways for new beginnings.  

Por Emily de Paula, Coordenadora do Currículo Bilíngue 

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