Jubileu, Educação e Política: caminhos de Esperança, justiça e paz (Novembro / 2025)

18/11/2025

Ao convocar o ‘Ano Jubilar 2025’, a Igreja convidou toda a humanidade a redescobrir a força regeneradora da esperança. Inspirado na tradição bíblica do jubileu (cf. Lv 25), que remetia à libertação dos oprimidos, à restituição da dignidade e ao descanso da terra, este tempo jubilar é, para os cristãos, ocasião de peregrinar interiormente e comunitariamente rumo a uma vida mais reconciliada com Deus, com os outros e com a criação. A peregrinação é, portanto, símbolo de movimento: não de quem foge do mundo, mas de quem caminha em meio a ele como testemunha de fé e construtor de paz.

Nesse mesmo espírito, entre outubro e novembro, celebraremos o ‘Jubileu do Mundo Educativo’, reconhecendo a centralidade da educação na construção de um futuro mais justo e fraterno. Educadores, estudantes e instituições de ensino de todo o mundo são chamados a refletir sobre o desafio de formar mentes e corações capazes de transformar a realidade pela via da justiça, da solidariedade e da paz. Nessa perspectiva, educar é um ato essencialmente político, pois orienta-se para o bem comum e para a formação de cidadãos responsáveis e comprometidos com a vida em sociedade.

Esse compromisso encontra ressonância na proposta educacional do Colégio Anchieta, que nos recorda a missão de formar homens e mulheres “competentes, conscientes, compassivos, criativos e comprometidos”. Assim, o Colégio se propõe a ser espaço de discernimento crítico, de abertura ao diálogo e de compromisso com a transformação da sociedade. Ao mesmo tempo, assume que toda ação educativa é inseparável de um horizonte ético e espiritual: educar é sempre convidar à esperança, cultivar o desejo de um futuro melhor e fortalecer a responsabilidade coletiva por ele.

Essa visão também se conecta ao que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos ensina por meio da cartilha ‘Encantar a Política’: a política como caminho de fraternidade, justiça e paz. O texto destaca que o cristão não deve se ausentar da vida pública, mas nela atuar como peregrino da esperança, guiado por valores evangélicos que superam o imediatismo do poder e da polarização. Ser peregrino da esperança, no campo político, significa construir consensos, abrir espaços de diálogo e buscar, incessantemente, que a justiça seja realidade para todos, sobretudo para os mais vulneráveis. A cartilha insiste que a política, quando vivida como serviço, é instrumento privilegiado da caridade social.

Unindo esses quatro fios condutores da nossa reflexão – o Ano Jubilar, o Jubileu do Mundo Educativo, a proposta educacional do Anchieta e a cartilha da CNBB –, podemos reconhecer um chamado urgente: a educação católica, especialmente a educação jesuíta, é vocacionada a ser espaço de esperança ativa. Não uma esperança ingênua, mas uma esperança crítica, que lê os sinais dos tempos e se compromete com a transformação das estruturas sociais. No cotidiano das salas de aula, dos projetos comunitários e das iniciativas pedagógicas, educadores e estudantes são chamados a testemunhar que outro mundo é possível quando se conjugam fé, justiça e solidariedade.

O jubileu, em sua essência, fala de libertação. Libertar-se do egoísmo, do consumismo, da indiferença. Libertar-se também das formas de violência e exclusão que ainda marcam nosso tempo. Ao associarmos o jubileu à educação, somos lembrados de que ensinar e aprender são, antes de tudo, gestos de libertação: libertar a inteligência da ignorância, a consciência da alienação e a convivência humana da indiferença. Cada educador, cada estudante, cada família, ao viver o jubileu da educação, é convidado a se fazer peregrino da esperança, trilhando o caminho do diálogo, da justiça e da paz.

Ao chegarmos ao termo deste jubileu, somos convidados a renovar nosso compromisso com uma educação de excelência, significativa, integral e libertadora. Uma educação que não se limita a preparar para o mercado de trabalho, mas que se abre à cidadania global, ao cuidado da Casa Comum e à construção de sociedades reconciliadas. Nesse horizonte, reafirmamos também que a política é espaço legítimo da esperança cristã, sempre que for vivida como serviço e como busca sincera do bem comum.

Que o Jubileu do Mundo Educativo seja, portanto, ocasião privilegiada para renovarmos nosso compromisso de ser uma escola que educa para a vida plena, para a cidadania ativa e para a construção de um futuro em que justiça e paz deixem de ser apenas palavras e se tornem realidades concretas. Afinal, como nos recorda o Papa Francisco, “a esperança não decepciona”!

Prof. Dr. Alexandre Marins – Diretor Acadêmico

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