Mãe de Jesus e minha mãe também (Maio/2026)
Maio chega à Igreja como um jardim silencioso. Entre procissões, terços e coroações, cresce no coração dos fiéis uma recordação antiga e sempre nova: a de que Maria continua conduzindo os homens até Cristo. Não por acaso, a tradição consagrou este tempo como o mês mariano. É como se, em meio à correria cotidiana, a espiritualidade cristã abrisse uma janela para contemplar aquela que, com humildade absoluta, respondeu: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Minha relação com a devoção mariana sempre esteve ligada à memória, à arte e à fé. E, curiosamente, muitas dessas lembranças atravessam os corredores do Colégio Anchieta. Antes mesmo de trabalhar aqui, o Anchieta já ocupava um lugar especial na minha história. Foi no Teatro do Colégio que vivi momentos marcantes da infância e juventude. Minha formatura aconteceu naquele palco. Também ali recebi, ainda criança, o certificado do PROERD. Eram acontecimentos simples aos olhos de muitos, mas que permaneceram guardados como pequenas sementes de pertença.
Anos depois, a música estreitou ainda mais essa ligação. Como vocalista da banda católica Ministério Reacender, vivi, em 2022, uma experiência profundamente significativa: o lançamento da canção “Mariana”. A música nasceu como uma contemplação do amor de Cristo que, na Cruz, entrega Sua mãe à humanidade. A letra percorre os dogmas marianos e recorda que Maria não ocupa o centro da fé, mas aponta inteiramente para Jesus, como faz desde Caná da Galileia, quando diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Quando surgiu a ideia do videoclipe, o Anchieta apareceu naturalmente em nosso coração. Havia naquele espaço uma beleza difícil de explicar apenas pela arquitetura. O jardim interno, a imagem de Nossa Senhora Imaculada Conceição, as escadarias do hall e o próprio teatro carregavam uma atmosfera de recolhimento e transcendência. Parecia que cada cenário ajudava a narrar visualmente aquilo que a música proclamava. Assim, no dia 8 de dezembro de 2022, solenidade da Imaculada Conceição, lançávamos o videoclipe de “Mariana”, gravado dentro do Colégio Anchieta. Até hoje, considero aquele trabalho uma das expressões mais sinceras da minha devoção mariana.
Talvez seja justamente aqui que percebo, com mais profundidade, a delicadeza da Providência. Porque hoje, em 2026, aquele lugar tão presente em minha caminhada tornou-se também meu local de trabalho. E, mais do que um ambiente profissional, o Anchieta passou a ser um espaço de missão.
Trabalhar em um colégio jesuíta transforma nosso olhar espiritual. A tradição inaciana ensina a encontrar Deus em todas as coisas. Essa percepção muda a maneira como enxergamos Maria. Na espiritualidade de Santo Inácio, a Virgem não aparece apenas como símbolo de ternura, mas como modelo perfeito de escuta, disponibilidade e serviço. Ela é a mulher do discernimento, do silêncio fecundo e da fidelidade radical ao chamado de Deus.
Conviver diariamente com essa espiritualidade fortalece em mim uma devoção menos sentimental e mais contemplativa. Maria passa a ser compreendida não apenas pelas emoções que desperta, mas pela profundidade de sua entrega. Ela ensina a permanecer aos pés da Cruz sem abandonar a esperança. Ensina a servir sem buscar reconhecimento. Ensina a guardar Deus no coração antes de anunciá-Lo ao mundo.
Por isso, viver o mês mariano dentro do Colégio Anchieta possui um significado muito especial para mim. Existe algo de profundamente belo em perceber que os lugares que marcaram minha história agora também participam da minha vocação. Entre memórias da infância, música, fé e missão, vou descobrindo que Maria continua conduzindo meus passos com a mesma discrição com que conduziu os discípulos até Cristo.
E talvez seja este o maior segredo da espiritualidade mariana: quanto mais nos aproximamos dela, mais encontramos Jesus no centro de tudo.
Por Jhon Mascouto, Setor de Comunicação do Colégio Anchieta












