Manhãs de Julho no Recesso Escolar(Julho/2025)

07/07/2025

Manhãs tão lindas e iluminadas abraçam aqueles que chegam de mansinho, já sem a pressa habitual. O sol que entra no átrio aquece, convida, parece sorrir de maneira desajeitada. São manhãs de julho, num inverno colorido pelas cerejeiras em flor. Manhãs que nos chamam a não ceder à correria do dia a dia, mas a dedicar tempo para refletir, rezar e compartilhar experiências com os outros, buscando sentido e profundidade para nossas vidas. Os momentos de oração inaciana são conhecidos por sua abordagem contemplativa, que combina silêncio, meditação, convivência, recordação da vida e atenção às realidades humanas e sociais, onde somos chamados a amar e servir.

Um a um, vamos nos aproximando de nós mesmos. O som suave convida o coração à reunião em torno da mesa. Nela, a vela acesa, um livro aberto, as imagens e os demais objetos compõem o ambiente da nossa imaginação. Tudo vai se configurando com os rostos, os gestos, as expectativas do dia, os pensamentos e sentimentos não revelados. Um refrão meditativo, o silêncio que se segue, as partilhas. Memórias de Santo Inácio vão se pendurando no varal imaginário, onde esticamos cuidadosamente aprendizados, experiências, curiosidades e movimentos. São corações que se dispõem à beleza de escutar o Evangelho do dia, com os olhos fixos no flamejar das velas.

Chegadas e partidas são lembradas, gratidão e bênçãos são compartilhadas. Assim, a semana vai se tornando orante, vibrante, repleta de descobertas. O café servido depois não esfria a conversa, mas prolonga o tempo de convivência. É uma oração cheia de detalhes e prosa. Vozes, provas, saberes e sabores. Como uma peregrinação, um dia após o outro, passos e pão! É no encontro, no seguimento, na partilha que os cristãos se reconhecem e podem celebrar a fé que nos une, como peregrinos de esperança.

A oração, que nasce tranquila, silenciosa, generosa, ocupa um lugar central na vida e na missão de quem trabalha em um colégio jesuíta. Fundamentada na espiritualidade de Santo Inácio de Loyola, ela não é vista apenas como uma atividade religiosa, mas como uma fonte contínua de inspiração, orientação e renovação para toda a comunidade educativa. É através dela que nos dirigimos para o mais profundo de nós mesmos e da humanidade, para encontrar e revelar-se ao Senhor que já nos espera no cotidiano da vida.

O dia muda, muda também o trabalho, mudam as relações, as prioridades, a maneira de ver a realidade. É julho, e esperamos, orando e preparando a Semana Inaciana, sussurrando: “O Senhor vai acendendo luzes, quando vamos precisando delas…”

Por Angélica Engel, Coordenadora da Formação Cristã 

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