Meu casarão de memórias (Setembro/2025)

02/09/2025

Minha história no Colégio Anchieta começou em 2019, quando passei a estudar aqui. Desde o início, ouvia muito na cidade sobre o Casarão Amarelo: o ensino de excelência, a formação cristã priorizada pelos jesuítas, a estrutura dos prédios, a diversidade de espaços e a arquitetura do século XIX. Ao ingressar, tudo isso realmente chamou minha atenção. 

Logo percebi o empenho de toda a comunidade escolar em acolher os alunos e proporcionar a melhor experiência possível. Professores e funcionários estavam sempre dispostos a ensinar, ajudar e aprender de maneira didática e carinhosa. 

Entre 2020 e meados de 2021, durante a pandemia de Covid-19, estudamos remotamente. Foi nesse período que pude confirmar que o Colégio Anchieta vai além de sua estrutura física. Mesmo de casa, a essência da instituição permaneceu a mesma, pois o que torna o colégio especial não são apenas os prédios, quadras e espaços, mas as pessoas que constroem a experiência diária. 

Como escreve Ailton Krenak em Futuro Ancestral: “Escola não é prédio, mas uma experiência geracional de troca que deveria ser enriquecida e valorizada, na qual as pessoas que passaram por coisas distintas podem compartilhar conteúdos que ajudem crianças a se prepararem para a vida adulta”. 

Nessa perspectiva, o Anchieta abriga experiências e pessoas especiais que tornam cada vivência única. Por isso, as memórias que carrego no Casarão serão inesquecíveis: chegar cedo, dar bom dia ao Chicão e sentar na escada, lendo até que os colegas chegassem. Em poucos minutos, todos se reuniam, conversando, rindo e revisando conteúdos antes de subir para as aulas, quase sempre atrasados. Quando chovia, encontrávamos refúgio junto a uma janela, observando carros e pessoas enquanto compartilhávamos momentos de amizade e descontração. 

Nos intervalos, improvisávamos jogos de vôlei nos melhores espaços, sempre atentos para não perder a bola e garantir que todos pudessem participar, inclusive aqueles que inicialmente não queriam brincar. Eram momentos de pura diversão, sem regras, sem habilidades técnicas, mas com muita alegria. 

Durante as tardes, almoçávamos nem sempre juntos, mas nos encontrávamos na passarela entre a cantina e o ginásio, sentando na grama ou nos bancos para aproveitar o sol, como pequenas lagartixas. Depois, passávamos a tarde em aulas com diferentes professores e turmas, interagindo com quase cem colegas, discutindo temas atuais, tirando dúvidas, estudando para provas e compartilhando nossas experiências de adolescentes. 

Foram cinco anos repletos de memórias felizes, nos quais me descobri como indivíduo e cidadã inaciana. Além da formação acadêmica, aprendi a viver em comunhão com a sociedade, guiada pelos princípios e valores transmitidos no colégio. As amizades e experiências que vivi foram essenciais para moldar quem sou e meus objetivos para o futuro. Tenho certeza de que cada pessoa que passou pelo Casarão Amarelo tem suas próprias histórias inesquecíveis, pois este grande prédio guarda memórias e pessoas que o tornam único. 

Por Maria Eduarda Venancio da Silva Menezes, Antiga Aluna 

Outras Publicações

  • Formar homens para os demais (Abril/2026)
    08/04/2026
    Queridos amigos Discentes e Docentes Anchietanos,  Passei pelo nosso estimado Colégio nos anos 90, especificamente concluindo em 1992. Ingressei encantado com o tamanho, tradições, beleza e vida pulsante do nosso colégio. Carrego as lembranças mais fascinantes. Desde o perfume dos corredores até amizades permanentes que fiz pelos anos vividos, como foi bom. Conheci pessoas incríveis no nosso colégio, gente que aí me acolheu e
    Ler mais
  • Saudades do Casarão… (Março/2026)
    05/03/2026
    Quando penso na minha trajetória escolar, é impossível não sentir um misto de gratidão e saudade. Estudei no Colégio Anchieta durante toda a minha vida: da alfabetização até o terceiro ano do ensino médio. Foram muitos anos atravessando os mesmos corredores e construindo lembranças que se tornaram parte de quem eu sou.  Hoje, olhando para
    Ler mais
  • Encerrar um ciclo, carregar valores (Fevereiro/2026)
    23/02/2026
    Há dois meses, eu estava na minha colação de grau, recebendo o diploma que simboliza o encerramento de uma etapa construída ao longo de toda uma vida escolar. Um momento breve, mas carregado de significado, que trouxe à tona memórias, afetos e a dimensão real do que foi viver dezesseis anos em um mesmo lugar. 
    Ler mais