O combate aos discursos misóginos na sociedade contemporânea (Maio/2026)
Ângela Diniz, importante socialista brasileira, tem a sua morte como um marco na luta contra a misoginia e o feminicídio no Brasil, uma vez que, ao ser assassinada pelo seu companheiro, causou mobilização por todo o país, visando enrijecer as leis em relação a crimes contra mulheres. Antigamente, a persistente presença de discursos misóginos na sociedade contemporânea demonstra que as lutas para cessar esse preconceito, após o assassinato de Diniz, foram insuficientes. Dessa forma, o legado histórico e o machismo são óbices a serem combatidos, demonstrando a necessidade de uma intervenção.
Em princípio, é imprescindível ressaltar que a perpetuação histórica da misoginia no Brasil contribui para que haja a sua infeliz existência nos dias atuais. Nesse sentido, durante o Período Colonial, as mulheres eram vistas, muitas vezes, como o sexo frágil e, por isso, a sua função era cuidar da casa, realizando as tarefas domésticas. A partir dessa perspectiva, essa visão de as mulheres serem apenas responsáveis pelos afazeres domésticos é a mesma que diversos homens contemporâneos possuem. Isso ocorre, pois, ao longo dos anos, houve uma banalização estatal em relação ao combate a essa forma de pensamento e discursos, uma vez que o estabelecimento de punições para pessoas que demonstram ser favoráveis à misoginia e a criação de políticas públicas para as mulheres foram concebidos muito tarde. Com isso, durante muito tempo, as figuras femininas foram excluídas da sociedade, a exemplo da sua recente permissão para votar e integração ao mercado de trabalho, assim, o Estado, como figura máxima de soberania sobre os cidadãos, deve buscar soluções para a problemática.
Ademais, torna-se importante relacionar a discriminação de gênero e a presença de discursos misóginos atualmente. Nesse aspecto, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, criados pelas Nações Unidas, estabelecem em sua meta que as nações signatárias do documento, entre elas o Brasil, devem acabar com as desigualdades entre os sexos até o ano de 2030. Entretanto, com a presença do machismo em nosso país, causada pela visão patriarcal da população, tal objetivo fica mais difícil de ser alcançado. Como consequência, há o aumento dos casos de feminicídio, como apresentado pelo G1 em 2023, em que havia a estimativa de que, a cada 6 horas, uma mulher era vítima desse crime em território nacional. Logo, comprova-se que o machismo é um fator agravante do problema em questão.
Medidas eficazes, portanto, devem ser tomadas, visando combater os discursos misóginos na sociedade contemporânea. Dessa maneira, o Estado deve assegurar que homens que cometam misoginia sejam devidamente punidos, ocorrendo por meio da efetivação das leis, como, por exemplo, da norma que classifica a aversão às mulheres como um tipo de racismo, com o efeito de mitigar esse crime no Brasil. Além disso, cabe aos mesmos órgãos, em parceria com o Ministério da Educação, realizar campanhas de conscientização sobre a importância da igualdade de gênero. Isso deve ser feito por meio das redes sociais, como Instagram e Facebook, a fim de diminuir os casos de feminicídio no país. Por conseguinte, situações enfrentadas por Ângela Diniz não ocorrerão mais em território nacional.
Por Sara Frossard Barros, aluna da Terceira Série do Ensino Médio












