O melhor pedaço da vida (Agosto/2026)
O Anchieta foi cenário de cada uma das minhas melhores memórias, que jamais poderiam ter sido construídas em outro lugar. Melhor pedaço da vida, marca que atravessa gerações, lembrança doce e orgulhosa, eterna segunda casa.
As janelas sólidas são molduras para a vista que enfeitou meus dias por tantos anos e que eu nunca mais esquecerei. Lembro-me de cada pedaço que já não está igual. As memórias são tão vivas que os quase dez anos de formada parecem não ter passado. E, às vezes, eu gostaria mesmo que não tivessem.
Até hoje, com certa frequência, sonho com os corredores que foram palco dos meus momentos mais banais e cotidianos. Depois, a gente cresce e percebe que aqueles eram, na verdade, os dias mais especiais. E sei que continuam sendo para os alunos que passam por lá, ainda que talvez eles não reconheçam isso agora, assim como eu também não reconhecia.
Guardo comigo cada medalha de festival de poesia e feira de ciências, cada premiação da ONU Colegial, os bilhetes trocados em sala de aula. E guardo no coração as memórias da Noite do Soninho, da Festa do Livro, das inúmeras apresentações no teatro, da inauguração do Complexo Esportivo, das colônias de férias, das olimpíadas escolares, dos jogos interclasses, de cada Semana Santa Jovem… até o momento em que começam a chegar as despedidas: a última Festa Junina, a última noite na escola, o dia da formatura.
Enquanto tantas escolas se parecem cada vez mais com cursinhos pré-vestibulares, o Anchieta preserva seu diferencial justamente na própria ancestralidade: um espaço onde a vida acontece de forma vasta.
Minha maior satisfação foi ter participado de tudo isso. E, sem dúvidas, meu maior prêmio foram os dias compartilhados aí dentro, os valores que continuam me formando até hoje, cada pessoa que cruzou o meu caminho e os amigos que levo para a vida inteira.
Esse é, dizendo o mínimo, o legado que os 140 anos de Anchieta deixam na vida de quem passa por ele.
Por Alice Bravo, Antiga Aluna do Colégio Anchieta












