Raízes Anchietanas (Janeiro/2026)
Minha jornada com o Colégio Anchieta não foi apenas uma passagem, mas um ciclo completo de treze anos que moldou, de forma profunda e definitiva, a pessoa que sou hoje. Mais do que frequentar uma instituição, eu pude vivê-la. Trilhei um caminho de crescimento constante, descobertas silenciosas e amadurecimento genuíno. Ao longo desse tempo, o colégio deixou de ser apenas um espaço físico e consolidou-se como um pilar essencial na construção da minha identidade, um lugar onde partes de mim foram sendo formadas pouco a pouco.
Cresci entre salas de aula, corredores e pátios que, com o tempo, deixaram de ser apenas cenários do cotidiano e se tornaram lembranças vivas. Foi ali que aprendi, muitas vezes sem perceber, a conviver com o outro, a escutar antes de responder, a respeitar diferenças e a compreender que ninguém se constrói sozinho. A rotina escolar, com suas cobranças, frustrações e conquistas, funcionou como uma verdadeira bússola, orientando não apenas meu percurso acadêmico, mas também minha forma de enxergar o mundo.
Desde o primeiro dia em que pisei no colégio, não caminhei sozinho. Ao meu lado estavam pessoas que, sem que soubéssemos, seguiriam comigo até o último dia. Amizades que começaram de maneira simples e que, com o tempo, se transformaram em algo muito maior do que convivência. Foram presenças constantes, refúgio nos dias difíceis, risadas nos momentos leves e força silenciosa quando as palavras já não davam conta. Essas relações ultrapassaram o espaço escolar e se tornaram parte essencial da minha história.
O cotidiano no Anchieta sempre foi marcado pela exigência, mas nunca dissociada do cuidado. Ali, aprendi que disciplina não é rigidez vazia, mas compromisso com a excelência, e que esforço é o alicerce de tudo aquilo que se constrói com solidez. O colégio me ensinou que aprender vai além do conteúdo, envolvendo responsabilidade, moralidade e sensibilidade para o entorno. Cada aula, trabalho em grupo e conversa sincera contribuíram para uma compreensão mais humana do que significa educação.
Ser “anchietano” é carregar valores que ultrapassam o campo acadêmico. Ao longo dos anos, compreendi que o propósito do colégio é formar cidadãos conscientes do seu papel no mundo, capazes de exercer o pensamento crítico e agir com empatia. Professores foram guias nesse processo, não apenas pelo conhecimento transmitido, mas pelo exemplo, pela escuta e pelo incentivo constante à reflexão. Essa formação também se fez presente no cuidado e na dedicação de cada funcionário, essenciais para nosso desenvolvimento integral.
O Casarão sempre representou para mim a ligação viva entre passado e presente. Ele guarda histórias de gerações e simboliza a união entre tradição e renovação, ensinando que o futuro se constrói sobre bases firmes, sem perder de vista os princípios que sustentam sua trajetória.
Concluir minha formação em 2025 me faz compreender que os maiores legados não se resumem a notas ou resultados. Eles se revelam nas escolhas diárias, na forma de enfrentar desafios, acolher frustrações e seguir adiante com responsabilidade e senso crítico. O Colégio Anchieta me preparou para reconhecer meus erros, aprender com eles e continuar crescendo.
As amizades construídas ao longo dessa jornada, os momentos compartilhados e as experiências vividas são partes inseparáveis de quem sou. Deixar o Casarão não é apenas encerrar um ciclo, mas carregar comigo tudo o que foi vivido ali: os valores que se tornaram hábito, as memórias que permanecem e a saudade das amizades que fizeram cada dia valer a pena. Laços que o tempo não apaga e que seguem vivos no coração, mesmo quando os caminhos seguem adiante.
Pedro Monteiro Rosa Araripe , antigo aluno – Turma de 2025












