Saúde mental no ambiente de trabalho: desafios para bem-estar do trabalho (Setembro/2025)

24/09/2025

A obra cinematográfica “Tempos Modernos” do britânico Charles Chaplin retrata a jornada de trabalho de operários, que é marcada pela insalubridade, longos períodos laborais e pela desumanização do trabalhador. Saindo do contexto do cinema, é possível observar as características apresentadas no filme na realidade brasileira atual, o que configura uma das formas de deterioração da saúde mental dos cidadãos e um grande desafio à garantia do bem-estar deles. 

Nesse prisma, nota-se como principal causa para problemática o anseio empresarial pelo lucro e como consequência, ocorre o adoecimento dos trabalhadores. Por isso, é crucial debater sobre o tema. 

Inicialmente, faz-se importante abordar a mentalidade focada na lucratividade das empresas do Brasil. Sob esse viés, é plausível alegar que a visão capitalista que rege o mercado de trabalho reforça que o lucro constitui parte indispensável do sucesso das instituições, influenciando no imaginário de depreciação dos funcionários. Dessa maneira, com a desimportância atribuída à saúde mental dos empregados há o detrimento do bem-estar deles, o que acarreta desestímulo para o exercício de suas funções e, consequentemente, em maior cobrança por parte do empregador, além da exaustão física e mental dos assalariados. Nesse sentido ocorre um desequilíbrio na saúde psíquica desse civis, tornando-os doentes segundo a fala do filósofo e médico Hipócrates, que a forma é “o homem saudável é aquele que em perfeito equilíbrio físico e mental”. Assim, deve-se mitigar esse grave óbvio. 

Outrossim, nota-se que os trabalhadores adoecem decorrência a desimportância dada à saúde mental deles. Sob essa ótica compreende-se que o anseio por lucrar por parte das empresas as leva a reduzir todos os possíveis custos, resultando no corte do suporte psicológico a seus funcionários o que acentua a não compreensão desses civis sobre os próprios sentimentos e dificuldades e, em consequência, há o agravamento da falta de tratamento dessas questões. Desse modo, torna-se comum que os empregados iniciem quadros de doenças como ansiedade e depressão, influenciando na sensação de impotência desses cidadãos, piorando à condição mental deles. 

Nessa perspectiva, tal realidade assemelha-se ao período de Primeira Revolução Industrial, haja vista a deterioração da qualidade de vida dos assalariados, fazendo urgente a resolução desse problema. 

Interfere-se, portanto, que a saúde mental no âmbito trabalhista deve ser assegurada de modo eficiente. Sendo assim, cabe ao Ministério do Trabalho, órgão responsável por garantir os direitos trabalhistas, criar políticas empresariais que a priorizem a saúde psíquica dos funcionários, incluindo a obrigatoriedade da presença de psicólogos no ambiente laboral por meio de parcerias com centros especializados em tratamento de doenças ligadas à saúde mental, a fim de mitigar a exaustão psíquica dos assalariados. 

Eduarda Tostes Pinho, Aluna da 2ª Série do Ensino Médio

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