Tapetes de fé, memórias e encontros — um Corpus Christi especial (Junho/2025)
Neste feriado de Corpus Christi, vivi uma experiência emocionante — daquelas que aquecem o coração e nos fazem perceber a beleza de estar conectados com o passado, o presente e, principalmente, com aqueles que amamos. Voltei à tradicional confecção dos tapetes de Corpus Christi da nossa cidade, agora como mãe, e não apenas como ex-aluna do Colégio Anchieta. Estava acompanhada do meu filho Lucas, que hoje percorre os mesmos corredores e vivencia, ao seu modo, a mesma escola onde estudei anos atrás.
Ver o Lucas ali, agachado no chão, escolhendo as cores com cuidado, atento às orientações, com o rosto concentrado e as mãos sujas, me transportou no tempo. Ao lado dele, enxerguei a menina que um dia fui — também encantada com a arte efêmera dos tapetes, com a movimentação nas ruas, com a ideia de que estávamos todos juntos construindo algo bonito e cheio de significado.
Participar da montagem dos tapetes como mãe me proporcionou um novo olhar: mais atento ao esforço coletivo, à delicadeza do trabalho em grupo e ao papel fundamental da escola em promover esse tipo de experiência. Era diferente encontrar os professores e funcionários do Anchieta fora da sala de aula, de uniforme trocado por camisetas confortáveis e luvas de proteção. Eles estavam ali como parceiros — dispostos, sorridentes, conversando com pais e alunos, trabalhando lado a lado, dando o exemplo. Isso fortalece vínculos que vão além do conteúdo das disciplinas e que fazem parte da verdadeira formação que a escola proporciona.
A cada saco de sal tingido, a cada molde recortado, a cada detalhe cuidadosamente ajustado, sentia-se o cuidado e o carinho de todos que ali estavam. Pais, filhos, professores, funcionários e amigos da escola, reunidos por um propósito comum: criar algo belo, simbólico, feito por muitas mãos. E conseguimos. Os tapetes ficaram lindos — vibrantes, detalhados e repletos de significado. Mais do que arte no chão, eram expressões de fé, dedicação e pertencimento.
Foi um dia de reencontros: com a minha história, com as memórias da minha infância, com pessoas queridas e com a certeza de que nossos filhos estão crescendo cercados por bons exemplos.
A participação do Lucas foi motivo de orgulho, e até a Luisa, minha filha mais nova, que não pôde estar presente, vibrou ao ver os tapetes prontos. Já estamos todos ansiosos pela próxima edição.
Eventos como esse nos lembram que a escola é muito mais do que um prédio onde se aprende português e matemática. O Colégio Anchieta é um espaço de construção de laços, de vivências significativas e de valores que levamos para a vida.
E assim seguimos, como os tapetes que criamos: com esforço, dedicação e beleza — sempre em direção a algo maior.
Por Carolina Wermelinger, Antiga Aluna












