Tecnologia na Infância (Agosto/2025)
Na mitologia grega, o Sol que levou Ícaro à morte. Nos contos de fadas, a maçã oferecida a Branca de Neve que a envenena. Nas escrituras bíblicas, o fruto proibido consumido por Adão e Eva que condena a humanidade e os expulsa do Éden. Inúmeras são as representações verossímeis daquilo que deslumbra o indivíduo e, posteriormente, o leva à destruição. Transpassado o contexto mítico — modernamente — nota-se que o uso excessivo das tecnologias, sobretudo pelos jovens, evidencia a concretude da sedução e materializa ameaças ao usuário. Diante disso, deve-se analisar de que modo a normalização da exposição dos pequenos à tecnologia e o tecnicismo escolar contribuem para que os impactos negativos da Era Digital na infância sejam consolidados.
Em primeira instância, destaca-se a aceitação social acerca do uso tecnológico excessivo exercido pelas crianças como agravante da problemática. Sob este viés, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), embora normalizada, a utilização prolongada de recursos digitais na infância traz sérios riscos ao desenvolvimento físico e mental dos menores. No entanto, ao atentar-se à modernidade nacional, percebe-se que a informação promulgada pela entidade não é difundida no corpo social. Esse cenário é causado pela negligência midiática e dos demais meios conscientizadores, uma vez que estes não apresentam, em sua grade de programação, materiais voltados a advertir a população acerca dos danos causados pela exposição digital infantil. Isto — por conseguinte — faz com que tal problema torne-se invisível perante a sociedade, assim, não sendo posto em pauta nos debates sociais.
Além disso, evidencia-se que o modelo tecnicista de ensino corrobora o agravamento da questão. Sob esta ótica, consoante Carlos Luckesi, o tecnicismo no ensino reduz a escola a uma função adestradora, ignorando o desenvolvimento de habilidades essenciais para o estudante. Essa conjuntura é causada pelo descaso dos órgãos educacionais em adicionar à base curricular conteúdos voltados à construção de uma cidadania digital e à advertência dos menores a respeito dos impactos negativos que a Era Digital traz consigo, como a diminuição das interações humanas e o retardo no desenvolvimento infantil. Tal fator culmina, como consequência, em um corpo social que não reconhece, nem pelos responsáveis, tampouco pelos menores, os perigos associados ao uso excessivo de recursos tecnológicos pelos jovens.
Portanto, é indubitável que medidas precisam ser tomadas em combate à problemática. Logo, cabe à mídia e aos demais agentes de conscientização elucidar a população acerca dos riscos do uso prolongado de tecnologia por menores. Ademais, infere-se que é dever do Ministério da Educação — órgão responsável pela administração do ensino no país — promover, por intermédio de reformas na grade curricular, a integração de materiais voltados à construção de um senso digital crítico, para que jovens saibam os impactos negativos referentes ao meio tecnológico. Desta forma, a problemática sanar-se-á e a Era Digital distanciar-se-á de levar os pequenos à destruição.
Por Thiago Pereira Brasil Neves , aluno da 1ª série do Ensino Médio












