Uma história…Bons momentos… (Junho/2023)

30/06/2023

Falar sobre o Colégio Anchieta sempre foi motivo de emoção, e agora, saudades…!

Ainda garoto com 12 anos, meu pai colocou-me aos cuidados dos Jesuítas, e ao chegar frente àquele Casarão, cruzar os dois monumentos que ficam na Portaria Central e que retratam o apóstolo ao lado de uma onça, me assustei. Entretanto, não demorou a chegada do Pe. Souza (então Reitor) com semblante calmo, sereno e afetuosamente que nos recebeu. Era a sala de recepção: grande, luxuosa, diante ao meu olhar simplório de um interiorano. Meu pai trazia recomendação do amigo Dr. Raymundo Bandeira Voughan, fervoroso católico e amigo dos Jesuítas, para que nessa instituição de ensino, eu pudesse estudar.

Difícil relatar a importância e o legado recebido do Colégio Anchieta.  Seja pela formação do caráter, disciplina moral e cívica, além da formação básica escolar, do ensino religioso aliado aos retiros espirituais, das associações de Cruzada Eucarística, Congregação Mariana, Círculo de São Luiz, Escotismo, sempre com destaque à Formação Inaciana. Também relatar os esportes e jogos diversos, em particular o futebol, cujos equipamentos eram fornecidos pelo colégio.   Após o futebol, em excelente banho frio.    

 A hierarquia era constituída pelo Pe. Reitor, Pe. Prefeito, Pe. Espiritual e professores, sendo a maioria padres e filósofos. Raramente, professores de fora.

Esse colossal edifício era povoado por centenas de religiosos (filósofos), padres consagrados, considerável número de alunos internos (apostólicos) e externos. Outros que habitavam o Colégio eram os irmãos leigos, para manutenção dos dormitórios, banheiros, alfaiataria, barbearia, enfermagem, gabinete dentário, carpintaria, padaria, restaurante, cozinha, hortas, jardins etc.

Entre aqueles irmãos, tornaram-se lendários: Antônio Ploken (1895-1989) e Adão Concci (1884-1976), conhecido como irmão “Concha”.

 Os alunos externos tinham aulas nas segundas e terças-feiras, quintas e sextas-feiras pela manhã e à tarde, sendo o almoço em casa, e retornavam ao colégio. Tanto a entrada como a saída da turma, obrigatoriamente, se concentravam no Salão de Atos (ou Salão Nobre) para um pequeno estudo geral, sendo a movimentação em dupla fila indiana, ao longo das laterais dos corredores, e em silêncio. Nas quartas-feiras não havia aula. Pela manhã, assistíamos à missa, e logo após, um farto café com leite e pão de sal servidos em carrinhos, ao longo de enorme mesa de tábua armada no corredor, desde a capela em direção à cozinha. Terminado o café, os alunos estavam livres para escolher ir para casa ou se deleitar com os jogos. Toda a movimentação das turmas, seja na entrada ou saída do colégio, ou mesmo entre estudos e salas de aula, comportava-se da mesma forma, sendo feita uma pequena oração. Deo Gratia!! Ao ouvir esta exclamação, estávamos libertos.

Fábio Erthal – Antigo Aluno – Década de 1950

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