140 anos: Antigos alunos se reencontram para reviver memórias que atravessam o tempo (Setembro/2026)

18/09/2026

Em celebração aos 140 anos do Colégio Anchieta, antigos alunos que hoje vivem em diferentes lugares retornaram à cidade e, junto aos que ainda residem por aqui, ocuparam o Casarão Amarelo para reviver memórias, reencontrar amigos e compartilhar histórias e lembranças que o tempo não apaga. Em sua terceira edição, realizada após nove anos, o reencontro de antigos alunos da geração dos anos 1980 aconteceu no dia 6 de setembro e reuniu os participantes em uma programação especial. O dia começou às 10 horas, com uma missa em ação de graças, e seguiu com uma grande confraternização, com churrasco, banda e DJ, até as 19 horas.

Mais do que uma festa, o encontro foi uma oportunidade de rever amigos de infância e juventude, colegas que seguiram outros caminhos e mestres que nos conduziram, ensinando valores, disciplina e respeito, além de acreditarem em nossos sonhos. Foi um dia para reviver a saudade das brincadeiras, das descobertas e das lembranças que marcaram tantas trajetórias. Um reencontro com um passado que permanece vivo em nossa memória e que voltou a fazer parte do presente, acompanhado do orgulho de pertencer à história construída ao longo destes 140 anos de Colégio Anchieta.

Lembro-me de quando ingressei no Colégio, em 1974, na terceira série do antigo primário, ainda no prédio da entrada, embaixo, onde estudavam as crianças. Todos os dias, formávamos filas, por turma, para cantar o hino. Algumas vezes, um ou outro aluno lia um texto, preparado pelos professores, para começar mais um dia feliz! Como eu gostava de ser esta pessoa que lia! Queríamos crescer para subir e estudar com os “grandes”, que acompanhávamos subindo para o grande casarão, que um dia iríamos desvendar.

A vontade era grande, mas sabíamos das mudanças: não teríamos mais apenas um(a) professor(a), mas um para cada matéria; novas disciplinas surgiriam; não chamaríamos mais os professores de “tios”; estaríamos caminhando para a adolescência, cheios de inseguranças. E esse dia chegou. Veio o antigo ginasial, e foi um deslumbramento: novos amigos, salas enormes, corredores enormes, um pátio enorme. Podíamos jogar bola, futebol, vôlei, salto em distância, Pipocão. Ah, o Pipocão, que saudade! Era o mais disputado, fazíamos fila, e o recreio era curto!

Depois veio o antigo científico. A responsabilidade aumentava, e era hora de decidir nosso futuro, ainda incerto e cheio de dúvidas, com muitas informações e a cabeça fervilhando. Alguns já tinham certeza de sua escolha; muitos, como eu, não faziam ideia. Tínhamos aulas específicas de cada área, laboratório, estímulos diversos, produções teatrais e festivais de poesia.

Eu era uma menina tímida, mas gostava muito de conversar. Nas aulas de laboratório de Química, gostava de ler as mensagens do Pe. Jaime antes de começar, quando nos reuníamos na salinha anterior ao laboratório. E, quando entrávamos para fazer nossas lições, nossas “experiências químicas”, eu parecia uma profissional de relações públicas, porque ia de bancada em bancada falar com os colegas e, claro, atrapalhar a aula. Pe. Jaime dizia: “Você tem que fazer Faculdade de Comunicação”. Eu ainda não sabia direito o que era uma Faculdade de Comunicação, mas já gostava da ideia.

Nos festivais de poesia, havia uma colega que escrevia muito bem e se inscrevia com suas poesias. Ela queria que eu as apresentasse. Eu também queria, mas nunca tive coragem. Era mais fácil ler os textos indicados pelos professores, porque tinha o respaldo deles, mas fazê-lo por vontade própria era muita “ousadia”. Minha timidez não permitia.

Enfim, ingressei na Faculdade de Comunicação, na FACHA, fiz Publicidade e Propaganda e trabalhei na área por toda a minha vida profissional. Nesse caminho, realizei também o sonho de me apresentar como atriz, aos 42 anos, sob a influência da minha filha, que tinha 7 anos na época e hoje também é atriz. Eu já havia feito encenações em peças escolares, mas aquele momento era diferente: era uma escolha própria, era a pura “ousadia” que eu tanto temia. E me encontrei.

Hoje, aos 61 anos, sou aposentada, atriz e dubladora.

E, com muito orgulho, digo: sou antiga aluna do Colégio Anchieta!

Por Cyomara Lemos, Antiga Aluna do Colégio Anchieta

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