A educação financeira como impulso para o desenvolvimento sustentável (Outubro/2025)
A educação financeira é uma das principais estratégias para que a sociedade desenvolva a capacidade de gerir seus recursos de forma consciente e responsável. Ela possibilita uma vida livre do endividamento e favorece a aquisição de bens e serviços com equilíbrio, promovendo escolhas mais saudáveis no presente e no futuro.
Nos últimos anos, a ampla oferta de produtos e serviços, o padrão consumista imposto pela lógica capitalista e a facilidade de acesso a diferentes modalidades de crédito contribuíram para o crescimento alarmante dos índices de endividamento da população. Pesquisas de órgãos como SPC e Serasa confirmam esse cenário, o que tem motivado o poder público e instituições internacionais a defenderem a educação financeira como instrumento essencial para enfrentar o problema.
A ausência de alfabetização financeira desde a infância gera impactos significativos tanto na vida individual quanto na economia dos países. Populações financeiramente educadas tendem a apresentar menores índices de pobreza e maior poder aquisitivo, refletindo diretamente no fortalecimento da economia e na promoção da sustentabilidade econômica.
Nesse contexto, a inserção da educação financeira no ambiente escolar representa um fator de transformação social, capaz de impulsionar o amadurecimento financeiro da sociedade. Ainda que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) contemple o tema como conteúdo transversal às demais disciplinas, na prática observa-se que as diretrizes ainda não são plenamente aplicadas. A insuficiente capacitação dos profissionais da educação e a falta de abordagens pedagógicas integradas dificultam a implementação efetiva desse processo formativo.
Somam-se a isso a carência de investimentos e a ausência de políticas públicas consistentes, sobretudo no Brasil. Enquanto países desenvolvidos investem há décadas na educação financeira, colhendo bons resultados em seus indicadores econômicos, no Brasil o tema ainda avança de forma lenta e fragmentada.
Outro aspecto relevante está nos pequenos empreendedores, que muitas vezes enfrentam dificuldades por falta de conhecimento em gestão financeira. A ausência de formação adequada desde a infância, aliada à escassez de programas governamentais sólidos de apoio ao empreendedorismo, resulta em problemas de fluxo de caixa e compromete a sustentabilidade de muitos negócios, chegando até ao fechamento das empresas.
Em síntese, para que o Brasil avance rumo a uma sociedade financeiramente educada, é fundamental que os órgãos públicos implementem políticas e ações concretas de conscientização da população. As escolas, públicas e privadas, devem assumir papel central nesse processo, garantindo que a alfabetização financeira seja trabalhada desde cedo e de forma transversal ao currículo. Somente assim será possível formar cidadãos mais conscientes, capazes de gerir seus recursos com responsabilidade e de contribuir para o desenvolvimento sustentável do país.
Priscila Poubel de Oliveira Gorni, Coordenadora Contábil do Colégio Anchieta












