A Luz que Nos Conduz: Um Caminho de Advento e Interioridade (Novembro / 2025)

17/11/2025

“O povo, andando nas trevas, avistou uma grande luz”

Is 9, 1

“Não tenho um caminho novo.
O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar”.
Thiago de Mello

No período que antecede o Natal, a Igreja celebra o tempo litúrgico do Advento. Um dos símbolos usados na liturgia é a Coroa do Advento, que é uma forma circular e contém 4 velas, que são acesas a cada domingo em nossas celebrações. A Coroa de Advento simboliza a eternidade de Deus e a continuidade da vida. Cada vela acesa gera um clima de expectativa de chegada, uma mística da espera, da gestação, da ânsia do encontro com Alguém. É um convite a entrar no fluxo amoroso da Trindade, que, segundo Santo Inácio de Loyola, contempla a humanidade com um olhar amoroso e nos envia o Verbo Eterno para nossa redenção e santidade.

Existe em nós uma realidade mais profunda e original, Fonte do nosso ser, lugar das Bem-Aventuranças, onde o Criador passeia conosco no jardim interior (Gênesis 3, 8). Entrar no fluxo amoroso da Trindade é permanecer n’Aquele que é O Caminho, Jesus Cristo, pois somos seres caminhantes, peregrinos, movidos por sonhos, aspirações e desejos. Sentimos que algo nos falta e, assim, continuamos em busca, perseguindo uma meta, procurando respostas aos nossos anseios.

É uma busca de retorno ao paraíso perdido, uma dança de procura e encontro do verdadeiro Si-Mesmo, o Eu mais original: “Nas noites, sobre meu leito, procurei o amor de minha alma. Procurei-o, e não o encontrei. Vou erguer-me e circular pela cidade, pelas ruas e pelas praças! Vou procurar o amor de minha alma” (Cântico dos Cânticos 3, 1-2).

No caminho, vemos a conversão dos desejos e a transformação do Ser, a sua transparência e o seu silêncio nas noites escuras em busca de luz para a própria solidão. A Luz é símbolo privilegiado do imaterial, do Espírito, da fé, do Cristo, que “nele tudo subsiste” (Colossenses 1, 17) e em “nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17, 28). A Luz guia no caminho, ilumina nossas mentes e permite uma nova visão da realidade que nos cerca. O Advento nos convida a essa experiência, mas é preciso uma atitude orante de espera, de silêncio, de escuta, de receptividade, para retornar ao Ser original que talvez esteja perdido, recusado ou esquecido.

Maria viveu essa experiência de plenitude e graça. O anjo lhe disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lucas 1, 28), que também pode ser compreendido como: “Tu és Bem-Aventurada de Deus. O Ser que É está em Ti”. A mística do Advento é esse caminho de retorno à origem, de encontrar o Menino Jesus que nos habita e, com Ele, viver um novo nascimento, pois “Ele era a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo. Estava no mundo e o mundo, por intermédio dela, veio a ser (…) Veio para o que é seu (…) a quantos a acolheram, deu-lhes autoridade para tornarem-se filhos de Deus (..) E o Verbo se fez carne e armou a sua tenda entre nós, e vimos a sua glória, glória como Unigênito do Pai, pleno de graça e verdade” (João 1, 9-14). Que a Virgem Maria nos ajude e nos inspire nesse caminho.

Filipe do Amaral Mendes, pai de aluno. Núcleo Inaciano de Nova Friburgo. 

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