Antigos Alunos: Anny de Mattos Barroso Maciel (1993) (Setembro/2022)

Aos meus 14, 15 anos de idade, já tinha conhecimento de que algo muito grande e forte pulsava dentro deste coração sedento por vida e conhecimento. Sedento em conhecer pessoas e seus universos. Antes disso, antes precisamente de 1991, meu mundo basicamente se resumia à escola, sem dúvida, que exercia uma influência e acolhimento importantes ao longo de toda a minha educação infantil e fundamental. Eram muitos desafios, medos, adaptações e aprendizados.

No final de 1990, mudaria de escola, pois a minha, nesta ocasião, não tinha ensino médio. Primeiro grande desafio. Estava sedenta por ampliar meus horizontes. Queria olhar acima das montanhas. Meus sonhos não cabiam mais nas paredes da minha escola de ensino fundamental.

Na minha maturidade de 14 anos, pesquisei qual escola me projetaria para este universo tão amplo e desafiador que estava latente aqui dentro. Havia uma preocupação, e sempre tive bolsa de estudos.

No final de 1990, prestei prova para bolsa de estudos naquele lindo prédio e pude subir as escadas de madeira e entrar, pela primeira vez, num auditório para fazer uma prova que era muito especial. Prestei a prova de bolsa, escondida dos meus pais, não queria expectativas. Tinha convicção do meu sonho e não negociaria por nada. Não queria dar a chance de não ser viável a realização deste sonho.

Numa manhã de 1990, o telefone fixo de casa tocou, minha mãe atendeu e me olhava com uma cara brava. O prédio amarelo entrou em contato comunicando sobre a minha bolsa. Tinha conseguido uma excelente bolsa de estudos sem o conhecimento dela. Não aconselho esconder algo de seus pais, mas neste caso,  temia que eles me proibissem de fazer a prova. Achavam a escola muito cara, muito grande, era muito grandioso para aquela família simples.

A bolsa tornou meu sonho e minha força cada vez mais próximos. Em 1991, meu mundo começou a ganhar mais cor, muito conhecimento, cada laboratório, bibliotecas… tudo me enriquecia.

O corredor de piso de madeira de pinho de riga (a minha predileta) foi cenário do primeiro namoro, vários sorrisos largos, uma característica muito minha e de amizades que mantenho até hoje.

O Anchieta, meu eterno e único prédio amarelo, foi o trampolim para chegar ao Rio de Janeiro e conquistar meu objetivo. Entrei na Faculdade de Medicina da UFRJ.

Posso garantir a vocês que o prédio amarelo e tudo que vivi, ao longo do ensino médio, me trazem forças até hoje. As memórias afetivas deste lugar me trazem o colo seguro que, ao longo da vida, a gente precisa. Pisem com carinho nestes corredores! O tempo não volta, nem para. Tenham a certeza de que este momento do prédio amarelo se eternizará de alguma forma na vida da gente!

Hoje, me eternizo mais uma vez através da leitura de cada um de vocês sobre este relato de alguém que , provavelmente, nem conhecem. Estou além da fotografia de formatura destes corredores do ano de 1993. Hoje, estou presente em aulas que dei para meus colegas médicos, capítulos de livros que escrevo e escrevi e na mulher independente e livre que me transformei.  Eternizo-me na formação de minhas filhas, Julia e Manuela. Morando em São Paulo desde 2003, minhas pequenas não estudaram neste lindo prédio. Hoje ,compartilham da felicidade de saber que a mamãe teve esta história linda e que a vida se abre através de nossa busca incessante por conhecimento.

Acredito que esta escola me trouxe muito mais que uma grade curricular. O prédio amarelo me trouxe a ponte que a gente atravessa para cada conquista importante de nossas vidas.

Como sou brincalhona e psiquiatra, vou usar uma metáfora… posso dizer, que em várias situações difíceis da vida, a gente balança, mas não cai não. Ficamos sólidos como este prédio! Acreditem… cheguei aonde nem imaginava… na USP (Universidade Federal de São Paulo) onde, por alguns anos, coordenei uma equipe hospitalar.

Por Anny de Mattos Barroso Maciel, antiga aluna da turma de 1993.