
Caminhos para lidar com os efeitos da espetacularização do cotidiano na sociedade brasileira (Outubro/2023)
No filme norte americano, “O show de Trumam”, há a exposição da via de um homem que é ininterruptamente gravada sua rotina e exibida para a população em forma de espetáculo. Analogamente, na sociedade brasileira, a espetacularização do cotidiano também ocorre, o que provoca consequências marcantes no conjunto atual. Dessa forma, é necessário analisar o desenvolvimento de distúrbios mentais e “glamorização” da sociedade de consumo, a fim de construir caminhos para enfrentar o óbvio.
Diante desse cenário, é importante ressaltar o desenvolvimento de transtornos mentais como consequência da espetacularização do cotidiano. Isso porque as postagens dos influenciadores digitais nas redes sociais – como Instagram – que divulgam uma vida “perfeita” em viagens que demostram felicidade a todo momento, e que geram consequentemente efeitos de comparação nos espectadores. Dessa maneira, a partir da visualização e comparação com seu estilo de vida fabricado, ocorre a evolução de distúrbios mentais nos usuários, como ansiedade e depressão, uma vez que há alienação dos influenciadores midiáticos, como a Virginia Fonseca ao expor seu cotidiano espetacularização para seus seguidores reproduzirem essa rotina. No entanto, por conta da condição financeira e oportunidades sociais, a massa é impossibilitada de espelhar o comportamento dos “influencers” e permanecem como observadores da espetacularização desse cotidiano. Assim, é preciso construir caminhos que tenham como base a criação de programas de assistencialismo para entender os brasileiros com transtornos mentais decorrentes dessa mazela social.
Ademais, é necessário enfatizar como a “glamourização” da sociedade de consumo que é uma importante espetacularização do cotidiano. Tal ocasião ocorre, pois o corpo social é pautado na teoria do sociólogo polonês Zygmunt Bauman acerca da “modernidade líquida”, uma vez que há a compreensão de que o “ter” possui mais valor social que o “ser”. Desse modo, há a intensificação do consumo de produtos e estilos de vida por brasileiros, como o intuito de adquirirem mais valor social e, assim, poderem realizar a exposição de sua rotina. Como efeito, nota-se o esvaziamento das relações sociais e o aumento do consumismo, o que reforça a prática da espetacularização do cotidiano e logo é imperioso que haja fomentação de meios que desmistifiquem essa ideia.
Portanto, caminhos devem ser criados para lidar com os efeitos da espetacularização do cotidiano na sociedade brasileira. Neste sentido, um projeto deve ser criado pelo Ministério das Comunicações em que por meio da criação de propagandas e campanhas exibidas em grandes canais de televisão, tais como a Rede Globo, ocorra a desmistificação da ideia do “ter” de possuir mais valor social que o “ser”, a fim de reduzir a “glamourização” da sociedade de consumo e a espetacularização do cotidiano. Indubitavelmente, dessa maneira, a sociedade irá se distanciar da ficção de ” O show de Trumam”.
Por Bernardo Torres Magalhães, Aluno da 3ª série do ensino médio.