Como a música entrou na minha vida (Outubro/2022)

10/10/2022

Desde pequeno, eu cresci ouvindo música. Em todos os finais de semana, meu pai passava uma boa parte do dia ouvindo música e lendo jornal, e o seu repertório preferido era The Beatles, música Erudita e Bossa Nova. Quando ele ouvia The Beatles, todos gostavam e, às vezes, até tentávamos cantar, e também em minha família existia uma certa “regrinha”: todos tinham que fazer uma atividade ligada à arte (música ou dança) e um esporte. No meu caso, fui para o violão aos 7 anos, um presente que foi dado pela minha avó Carmem, e  depois, fui para o futebol.

Como o futebol nunca me chamou atenção tentei o basquete e o vôlei, todos sem muito êxito, mas o violão estava lá persistindo e, com 11 anos, comecei a estudar teoria musical no Conservatório Brasileiro de Música e o violão já não me chamava mais tanta atenção, e sim, a guitarra.Com isso, a música começou a me chamar muita atenção. Foi quando comecei a ouvir outros estilos, que me foram apresentados por amigos e pelos professores de música, como o Rock, Pop e o Progressivo.Este último acabou se tornando o meu gênero musical preferido e foi nesta época que eu tive a noção de que a música se tornaria muito especial em minha vida.

O grande divisor de águas foi por volta dos 13 ou 14 anos assistindo ao clipe de uma música chamada Manhattan Project do Rush, minha banda preferida, junto com o Dream Theater, e eu me perguntava: Por que nessa música aparece o cogumelo atômico? Por que aparece Einstein? E esse avião com esse nome estranho Enola Gay? Foi neste exato dia que fui à casa de um amigo e pedi que me emprestasse o disco do Rush que tinha essa música. Copiei a letra em uma folha e comecei, por curiosidade, traduzir a letra e descobri que esta música de que eu gostava tanto falava sobre o Projeto Manhattan da 2ª Guerra Mundial, Hiroshima e Nagasaki. Isso fez uma tempestade na minha cabeça. Como uma música tão boa pode falar de um evento tão obscuro da nossa história? Então, comecei a relacionar a música a tudo e pesquisar canções relacionadas com história, geografia, matemática, física e química. A partir deste dia, tive a certeza de que a música seria a minha profissão, minha vida.

Mas eu tinha uma barreira para vencer: o julgamento das pessoas que sempre me perguntavam: – “O que você vai fazer quando crescer?” E eu respondia: -“Música!” Muitos afirmavam que isso seria o meu hobby e insistiam sobre minha profissão e eu respondia novamente, MÚSICA. Até mesmo em casa meus pais e alguns familiares conversavam comigo e insistiam tanto que eu cedi. Fiz vestibular e passei para Direito tentando cursar até o 4º período, mas como sempre a música foi muito mais forte. Desisti da faculdade e entrei na minha tão sonhada faculdade de música, mas o Direito não foi de tanto ruim, pois foi lá onde conheci a minha futura esposa.

Não pretendo afirmar que a música é a melhor coisa do mundo, e sim, mostrar um pouco do que ela fez comigo, e como a música mudou a minha vida. Qualquer outra disciplina pode mudar a vida de qualquer pessoa, basta seguir o seu sonho, lutar, enfrentar barreiras, tudo em prol do seu futuro, porque quando se faz com amor, o retorno é sempre garantido.

Por Antonio Carlos Lopes de Souza, Professor de Música

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