COP30: Desafios globais, papel do Brasil e a centralidade da Amazônia (Setembro/2025)

11/09/2025

A COP30, maior conferência mundial sobre mudanças climáticas, será um marco histórico no debate global. Em um contexto de crise ambiental crescente, marcado por eventos extremos, aumento da temperatura média e impactos diretos sobre a segurança alimentar e hídrica, a conferência assume relevância sem precedentes.

Pela primeira vez, o Brasil sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O evento acontecerá em Belém do Pará e reunirá chefes de Estado, diplomatas, empresários, lideranças indígenas, ativistas e delegações dos países signatários da ONU.

O país assume papel de protagonista não apenas por receber o encontro, mas também por sua tradição diplomática e por abrigar a maior parte da Floresta Amazônica — considerada um dos principais reguladores climáticos do planeta. A Amazônia é um imenso reservatório de biodiversidade e essencial para a absorção de carbono. Paradoxalmente, o Brasil enfrenta pressões constantes relacionadas ao desmatamento, à grilagem de terras e às atividades ilegais que ameaçam a integridade da floresta e das comunidades locais.

Segundo o climatologista Carlos Nobre, especialista em Amazônia, a floresta está próxima do ponto de não retorno (tipping point) devido à interação entre desmatamento, degradação, queimadas e aquecimento global. Esse alerta coloca sobre o Brasil a responsabilidade de apresentar políticas consistentes, capazes de equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

O aquecimento global intensifica diretamente as mudanças no sistema climático. Aumentam-se a frequência e a severidade de ondas de calor, chuvas torrenciais, secas e ciclones tropicais, enquanto se reduzem as áreas de gelo, neve e permafrost, como destacam os relatórios do IPCC.

Diante desse cenário, torna-se urgente ampliar projetos de reflorestamento, reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa e acelerar a transição energética para fontes renováveis. A justiça climática também deve ser assegurada, reconhecendo que os países historicamente mais responsáveis pela poluição não são os que hoje sofrem os efeitos mais graves da crise. Esse desequilíbrio torna a cooperação internacional indispensável.

Desde o Acordo de Paris, em 2015, avanços importantes foram estabelecidos, mas o progresso ainda é insuficiente. O grande desafio da COP30 será articular setores públicos, privados e sociais para transformar compromissos em ações efetivas. O objetivo é reduzir as desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, criando novas oportunidades de emprego e renda dentro de uma economia de baixo carbono.

A Conferência das Partes vai muito além de acordos ambientais e fóruns de discussão. Ela reafirma a urgência de uma responsabilidade coletiva: cuidar da Casa Comum. Como recorda a encíclica Laudato Si’, trata-se de um chamado universal para unir ciência, política e espiritualidade em defesa da vida no planeta.

Por Marcia Luiza Ferreira da Costa, Professora de Geografia

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