Desafios para combater a exploração sexual infantil no território brasileiro (Abril/2024)

11/04/2024

Estabelecido na Constituição de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assegurou, em meio a um cenário de exploração, uma série de direitos e valores inerentes ao pleno desenvolvimento infantil e seu amadurecimento. Transpassando o contexto constitucional, entretanto, no Brasil moderno, as garantias infantis não são devidamente respeitadas, mediante os desafios para combater a exploração sexual dos jovens. Nesse sentido, tal prática atua de maneira significativa prejudicial à ordem comunitária, sendo preciso compreender suas raízes, como a desigualdade e a polinização midiática.  

Em primeiro lugar, vale dizer que as desigualdades nacionais intensificam a pauta. Decerto isso ocorre, uma vez que a pobreza extrema, que assola grande parcela da população brasileira, promove uma submissão à condição desumana por parte dos adolescentes, haja certa negligência e a convivência familiar com práticas ilícitas, como o abuso sexual infantil, em busca de recursos básicos. Ainda nessa linha de raciocínio, ganha grande relevância o documentário “Marajó: Meninas em Risco” exibido pela emissora Band, o qual revela a situação de jovens meninas que se submetem por turistas no Arquipélago de Marajó, no Pará em meio a recebimento de comida e quantias irrisórias de dinheiro. Por consequência, há a normalização da tal prática, já que não ocorre a atuação governamental no combate às casas de exploração e pobreza, compactuando para a “violentação infantil”.  

Além disso, importa pontuar o impacto relacionado ao combate de abuso sexual proporcionada pela midiatização comunitária. Tal questão se dá, em razão do estímulo sexual, possível de gerar inúmeras visualizações a conteúdos digitais, a mostra da divulgação infantil, incentivado por famílias, mediante à lucratividade desta ação, de modo a objetificar as crianças enquanto produtos. À vista disso, assume destaque o conceito de “Banalidade do Mal”, desenvolvido por Hannar Arendt, segundo o qual o homem tende a normalizar más ações que o desvirtuam, por considerá-las recorrentes em determinado cenário, a mostra de propagação jovial nas redes, processo comum, apesar de seu caráter maléfico. Dessa forma, as crianças são expostas a problemas mentais, em motivação da fragilidade às práticas abusivas, à mostra da importunação e sexualização. 

Portanto, faz-se essencial que medidas sejam tomadas, e objetivando o combate à exploração sexual infantil no território brasileiro. Para tanto, é imprescindível que o poder público, órgão de maior poder e influência, promova ação de enfrentamento a casos de exploração jovial, por meio da implantação de áreas de vigilância policial e de punição e investigação dos praticantes, em conjunto com a busca pela igualdade social, através da integração de grupos marginalizados com intuito de que jovens tenham acesso a seus direitos em plenitude. Ademais, famílias devem se comprometer a mitigar a exposição digital infantil, a fim de proteger sua imagem e inviabilizar abordagens e utilização tendenciosas de suas figuras, zelando assim pelo cumprimento do ECA.  

Por Daniel Calixto Tardin, Aluno da 2ª Série do Ensino Médio.

Outras Publicações

  • Desafios para a valorização da arte de periferia no usuário cultural brasileiro (Abril/2026)
    04/05/2026
    O “funk”, estilo musical, surge nos Estados Unidos e chegou às periferias brasileiras em meados dos anos 70, sendo hoje um dos gêneros musicais mais conhecidos no Brasil. Apesar desse tipo de música ser muito aclamada, uma substancial parcela da população subjuga-a devido à sua origem periférica. Desse modo, a fim de compreender os desafios
    Ler mais
  • Os impactos da representação feminina na mídia contemporânea (Abril/2026)
    17/04/2026
    O documentário de 2015, “O corpo é meu”, questiona a representação feminina nas mídias e como a visão sexista é prejudicial para as mulheres da sociedade. Lamentavelmente, a temática da obra cinematográfica permanece atual, uma vez que as propagandas machistas que objetificam as cidadãs brasileiras ainda se fazem presentes nos principais meios de comunicação impossibilitando que
    Ler mais
  • Mais que redação: o verdadeiro sentido da escrita na Educação (Março/2026)
    31/03/2026
    A escrita escolar ocupa um lugar decisivo na formação humana. Mais do que uma técnica para organizar ideias ou cumprir exigências avaliativas, ela pode ser compreendida como uma experiência de reflexão, elaboração e construção de sentido. Quando esse horizonte se enfraquece, a própria educação corre o risco de perder parte de sua força formativa. No
    Ler mais