
Fake News e Polarização (Outubro/2022)
Em 1937, durante o Estado Novo, o Plano Cohen foi criado com objetivo de manipular e justificar o golpe de Getúlio Vargas e sua permanência no poder, iniciando-se um longo período de ditadura. Transpassando para o contexto hodierno, observa-se que no Brasil as “Fake News”, presentes na Era Vargas, ainda são expressivamente disseminadas diante da influência do meio midiático, sobretudo com o advento da internet e das redes sociais, fator que resulta na moldagem de opiniões da sociedade. Nesse sentido, tal problemática é motivada por óbices como a polarização da internet e o uso incorreto dos meios digitais pela população.
Em primeira análise, contata-se que a popularização das mídias sociais aumenta a interferência desses canais nos ideais da atual geração. Isso ocorre porque, com a expansão de usuários digitais e a facilidade de divulgar pensamentos e notícias no âmbito virtual, os internautas têm maior acesso aos mais diversos conteúdos, e assim, pela necessidade de estarem incluídos no mundo das tecnologias, compartilham publicações sem verificar sua veracidade. Consequentemente informações falsas são largamente veiculados e impactam a sociedade, como no uso de medicamentos ineficazes. Sob esse viés, convém ressaltar o conceito de Habitus, de Pierre Bourdieu, segundo o qual, agentes externos, como a mídia, determinam modos de ser e viver da população. Dessa forma, são estritamente necessárias medidas para o combate à difusão de “Fake News”
Depreende-se, outrossim, que o uso incorreto dos meios tecnológicos, por parte da população, expande a disseminação de notícias inverídicas. Ainda nessa perspectiva, diante da rapidez do acesso à informação nas redes digitais, em geral, o coletivo não está preparado e habituado no exercício de filtragem e checagem de dados e notícias, devido à falta de educação para a utilização com eficácia das tecnologias informativas. Em consequência, amplia-se o número de pessoas atingidas por referências caluniosas. Nesse contexto, ganha relevância o documentário “O Dilema das Redes”, 2020, que retrata a influência dos mecanicismos das redes sociais na população, dentre eles as manipuladoras “Fake News”. Desse modo, os indivíduos conectados são facilmente manipuláveis por forças externas.
Portanto, são necessárias medidas exequíveis para atenuar a disseminação das” Fake News”. Logo, cabe ao Ministério da Educação financiar palestras informativas sobre como detectar informações caluniosas, através da disponibilização de espaços e profissionais, para que os efeitos da disseminação de notícias falsas sejam minimizados. Dessa forma, será, de fato, possível reverter situações como a do cenário do Plano Cohen.
Por Ana Luiza Leal, aluna da 1ª série do Ensino Médio