
Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação? (Setembro/2022)
Narciso, segundo o mito, foi um homem tão vaidoso que, após desprezar diversas pretendentes, acabou se apaixonando pelo próprio reflexo, em um rio, e morreu de fome depois de ficar dias se admirando. Esse mito retrata a realidade de diversos brasileiros que valorizam muito a sua beleza. Na geração narcisista, pode-se dizer que o cuidado excessivo com a beleza é um pedido de socorro e não um ato de reafirmação, visto que há busca por padrões idealizados e as pessoas podem se tornar agressivas.
Primeiramente, é importante lembrar que, na sociedade brasileira, é normalizado se preocupar excessivamente com a própria aparência, podendo acarrear problemas, como o narcisismo, como forma de pedido de socorro. Esse fato ocorre porque os meios midiáticos criam padrões de beleza idealizados. Logo, os jovens que entram nesses padrões acabam se preocupando com a beleza e se tornam narcisistas. Esse cenário ganha relevância com o conceito de “habitus”, do filósofo Pierre Bordieu, que defende a ideia de que influências externas afetam a forma de pensar de uma sociedade. Com esse conceito, pode-se afirmar que influências externas, como as dos meios midiáticos, influenciam a busca pela beleza idealizada e os jovens, que muitas vezes, não estão conscientizados sobre o assunto, acabam se tornando narcisistas.
Além disso, outro fator importante é que o narcisismo pode resultar em transtornos e tornar as pessoas agressivas. Isso ocorre devido ao fato de que muitas querem ser melhores do que outras e, com a geração narcisista, todos querem ser considerados o mais bonito. Análogo a esse contexto, a ficção “A Branca de Neve”, produzido pela Disney, possui uma antagonista, a rainha má, que é extremamente vaidosa e se mostra capaz de realizar crueldades para ser considerada mais bela que a protagonista. Esse cenário, apesar de fictício, retrata uma realidade em que pessoas sofrem por serem julgadas mais bonitas do que outras.
Portanto, a geração narcisista é um pedido de socorro e não um ato de reafirmação e causa impactos grandes à sociedade brasileira. Então, o Ministério da Educação deve promover palestras em escolas, com o apoio de psicólogos que conscientizem jovens sobre os padrões de beleza idealizados e seus riscos. Isso deve ser feito com intuito de que os jovens não se tornem agressivos. Dessa forma, os jovens não se tornarão, como no mito de Narciso, extremamente vaidosos e, assim, deixarão de se preocupar com a beleza.
Por Frederico Dallia Sasek, aluno da 1ª Série do Ensino Médio