Globalização, Tecnologia e a Formação do Cidadão para o Mundo (Dezembro/2025)

17/12/2025

Os avanços tecnológicos em comunicação e transportes nas últimas décadas propiciaram maior agilidade nos fluxos de informações e a redução do tempo gasto no deslocamento de pessoas e mercadorias, causando a impressão de encurtamento da distância física entre diferentes locais. Criou-se a ilusão da diminuição do tamanho do planeta e da extinção das fronteiras, uma vez que a integração política, econômica e cultural foi potencializada, dando origem ao mundo globalizado.

Esses avanços trouxeram novos desafios e oportunidades, pois, em tempo real, é possível perceber que a desigualdade social, a pobreza, a xenofobia, o racismo, o terrorismo e a crise ambiental não são problemas locais, mas universais. O sociólogo alemão Ulrich Beck afirma que: “De ora em diante, nada do que acontece é somente um evento local. Todos os perigos essenciais se tornaram perigos mundiais; a situação de cada nação, de cada etnia, de cada religião, de cada classe, de cada indivíduo em particular é também o resultado e a origem da situação da humanidade. O ponto decisivo é que, de agora em diante, a principal tarefa é a preocupação pelo todo. Não se trata de uma opção, mas da própria condição. Ninguém jamais o previu, desejou ou escolheu, mas brotou das decisões, da soma de suas consequências, e se tornou conditio humana”.

Ao buscar demonstrar em que sentido é possível falar em “cidadãos para o mundo”, faz-se necessário, em um primeiro momento, capacitar o indivíduo para que se transforme em um cidadão comunitário, capaz de agir localmente e pensar globalmente, identificar os problemas de sua casa, escola e bairro e, em seguida, compartilhar as soluções encontradas. Essa capacitação passa pelo sentimento de pertencimento do sujeito em relação à sua comunidade, gerando engajamento para que o cidadão se preocupe em melhorar sua realidade, pois, como afirma a filósofa Adela Cortina: “Em princípio, entende-se que a realidade da cidadania, o fato de se saber e de se sentir cidadão de uma comunidade, pode motivar os indivíduos a trabalhar por ela”.

Diante das oportunidades geradas pelo avanço dos meios de comunicação, o compartilhamento dos problemas e soluções encontrados em nível local entre as comunidades espalhadas pelos continentes pode pavimentar o caminho para a formação de um cidadão para o mundo, uma vez que, independentemente do recorte territorial em que esteja inserido, terá a oportunidade de extrapolar fronteiras e contribuir para minimizar os problemas em escala universal. A formação de um cidadão global exige a superação do individualismo em favor de uma postura coletiva, solidária e participativa.

A construção da cidadania global não ocorre de forma imediata, mas a partir do fortalecimento da cidadania local, do sentimento de pertencimento e do compromisso ético com a comunidade. Ao agir de maneira consciente em seu espaço cotidiano e compartilhar experiências, saberes e soluções, o indivíduo amplia sua atuação para além das fronteiras territoriais. Portanto, a consolidação de um cidadão para o mundo depende do desenvolvimento de valores como solidariedade, cooperação e participação social — elementos essenciais para a promoção de uma sociedade mais justa, inclusiva e comprometida com o bem comum da humanidade.

Alexandre Carvalho, professor de Geografia do Fundamental II e Ensino Médio

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