O acúmulo de jornadas de trabalho diante do endividamento (Maio/2026)
No seriado de TV “Tapas e Beijos”, o personagem Jurandir é colocado em uma posição em que é necessário aumentar sua jornada de trabalho, ao garantir o segundo emprego, para que seja possível quitar sua dívida. Nesse contexto, o seriado retrata uma realidade muito próxima à vivência da classe trabalhadora brasileira que, ao estar integrada a um sistema econômico com elevado custo de vida e baixa remuneração, é forçada a se endividar e aumentar seu tempo de trabalho. Dessa forma, quadros de exaustão física e mental e sedentarismo são diretamente agravados na tentativa de combater as pendências.
Primeiramente, é vital destacar que a exaustão completa do trabalhador é fomentada pelo aumento do tempo de trabalho na busca por melhores remunerações. No Brasil, um país extremamente desigual economicamente, a classe trabalhadora opta, em sua maioria, por um emprego em regime CLT e outro de forma “informal”, como motoristas de aplicativo, buscando melhoras na renda.
Diante disso, aumentar a jornada de trabalho é a opção viável para conciliar o duplo emprego, mas é inviável para a saúde do trabalhador, que abre mão de atividades cruciais para o bem-estar, como sono de qualidade, lazer, academias e alimentação qualitativa. Nesse cenário, a classe trabalhadora desenvolve quadros de exaustão extrema, conhecidos como burnout, devido ao acúmulo do seu esforço sem pausas ou tempos livres, o que gera deficiências na saúde pública nacional.
Além disso, jornadas de trabalho extensas provocam sedentarismo na população economicamente ativa. Para a classe trabalhadora, buscar quitar suas dívidas é diretamente proporcional ao aumento do período de trabalho, que priva essa porção populacional das atividades físicas e do lazer em prol do foco no mercado de trabalho, ocasionando a ascensão do quadro de sedentarismo, que agrava problemas cardiovasculares, insuficiência metabólica, dores pontuais no corpo e pioras na saúde mental. O endividamento do trabalhador, na contemporaneidade, é agente ativo na deturpação da saúde pública em prol do benefício do sistema econômico que explora o trabalho.
Portanto, é essencial que o acúmulo de jornadas de trabalho diante do endividamento do trabalhador seja solucionado de forma concreta e estratégica. Assim, cabe ao governo, responsável por assegurar os direitos básicos da população, potencializar a remuneração trabalhista e a diminuição dos endividamentos, por meio de reajuste periódico do salário-mínimo e da disponibilidade de financiamento das dívidas de forma acessível ao trabalhador, com a finalidade de diminuir a jornada de trabalho, diminuir o endividamento e potencializar a saúde pública nacional.












