Dia Internacional da Mulher: educar para o respeito, o cuidado e a justiça (Março/2026)
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data que nos convida à reflexão. Mais do que uma comemoração, trata-se de um momento importante para reconhecer a trajetória histórica das mulheres, suas conquistas e também os desafios que ainda persistem em nossa sociedade.
Ao longo da história, mulheres desempenharam papéis fundamentais na construção social, cultural e familiar, muitas vezes enfrentando contextos de invisibilidade e desigualdade. Hoje celebramos avanços significativos em diferentes espaços da vida pública e privada, fruto de muitas lutas que buscaram garantir direitos, reconhecimento e oportunidades.
No entanto, para além de uma perspectiva celebrativa, o mês de março também nos convida a um olhar atento para realidades que ainda precisam ser transformadas. Muitas mulheres seguem enfrentando situações de desigualdade, sobrecarga e diferentes formas de violência — física, psicológica, moral ou simbólica. Por isso, este período também se torna uma oportunidade importante de conscientização e diálogo, fortalecendo ações educativas que contribuam para relações mais respeitosas e justas.
Em A Geração Ansiosa, o psicólogo social Jonathan Haidt aponta que o uso intenso de smartphones e redes sociais tem contribuído para o aumento de quadros de ansiedade entre adolescentes, especialmente entre meninas. Um dos fatores mais relevantes está relacionado à constante exposição a padrões de beleza idealizados e, muitas vezes, irreais. Nas redes sociais, imagens editadas, filtros e conteúdos cuidadosamente produzidos criam referências estéticas que dificilmente correspondem à realidade, favorecendo comparações frequentes e expectativas rígidas sobre aparência e corpo.
Nesse contexto, muitas meninas passam a medir seu valor pessoal a partir da validação recebida nas plataformas digitais — curtidas, comentários e aprovação social. Essa lógica de comparação constante pode gerar sentimentos de inadequação, insegurança e baixa autoestima, reforçando pressões estéticas que atravessam historicamente a experiência feminina. Por isso, torna-se fundamental que a educação também promova uma reflexão crítica sobre esses padrões, fortalecendo a autoestima, o respeito ao próprio corpo e a valorização da singularidade de cada pessoa.
Essa realidade nos convida a refletir sobre a importância de educar as novas gerações para uma relação mais crítica e saudável com o ambiente digital. Em muitos casos, a busca por reconhecimento nas redes pode gerar sentimentos de inadequação, insegurança e baixa autoestima, impactando diretamente o modo como meninas percebem a si mesmas e seus próprios corpos.
Nesse contexto, a escola possui um papel fundamental. A educação é um espaço privilegiado de formação humana, onde crianças e jovens aprendem não apenas conteúdos acadêmicos, mas também valores, atitudes e modos de convivência. É no cotidiano escolar que se constroem aprendizagens essenciais sobre empatia, respeito às diferenças e responsabilidade nas relações.
Nesse horizonte, pensar a educação das meninas e jovens mulheres também é parte essencial do nosso compromisso educativo. Formar meninas hoje significa ajudá-las a reconhecer seu valor, fortalecer sua autonomia e desenvolver confiança em suas próprias capacidades, para que possam ocupar diferentes espaços da sociedade com segurança e consciência de sua dignidade.
Ao mesmo tempo, educar em uma perspectiva de respeito às mulheres envolve também formar meninos para relações baseadas no cuidado, na empatia e na corresponsabilidade. A escola torna-se, assim, um espaço privilegiado para refletir sobre igualdade, respeito e justiça nas relações humanas.
Mais do que uma data comemorativa, o mês da mulher nos convida a renovar o compromisso com uma educação que promova consciência, diálogo e transformação social. Educar para o respeito às mulheres é, em última instância, educar para o reconhecimento da dignidade de toda pessoa humana.
Que este tempo nos inspire a continuar formando crianças e jovens sensíveis às questões humanas, capazes de construir relações mais justas, solidárias e responsáveis com o outro e com o mundo.
Por Karen Arrudas, Psicóloga e Orientadora Educacional
do Ensino Fundamental





