Vivenciar a Quaresma em 2026 (Fevereiro/2026)
A Liturgia da Igreja Católica, no seu desenvolvimento dinâmico, apresenta uma pedagogia espiritual de grande valor para as pessoas. Através dela, procura encaminhar os fiéis, ao longo do ano litúrgico, a contemplação progressiva e ascendente ao mistério de Cristo. Os “tempos fortes” — Advento, Natal, Quaresma e Páscoa — como assim denominamos, estruturam esse caminho pedagógico formativo, oferecendo etapas educativas para a mente, o coração, os afetos, os sentimentos e a vivência prática do Evangelho, que é o próprio Jesus Cristo. Entre esses tempos, a Quaresma, seguida da Páscoa, ocupa lugar significativo no itinerário de conversão que prepara a pessoa e a comunidade para a celebração central da fé cristã: o Mistério Pascal.
A pedagogia litúrgica quaresmal está estruturada em três virtudes fortes da tradição da Igreja: oração, jejum e caridade. Esses elementos não são práticas isoladas, mas dimensões integradas de uma espiritualidade que visa restaurar a relação do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os irmãos e com a “casa comum”. A liturgia, por meio das leituras bíblicas, “Lectio Divina”, das orações eucológicas, liturgia das horas e dos sinais simbólicos — como a imposição das cinzas, a cor roxa e a sobriedade das celebrações — cria um ambiente espiritual que favorece o exame de consciência e a centralidade da fé. Veja na internet como fazer o exame de consciência segundo Santo Inácio de Loyola. Lá você encontra explicações e vídeos ensinando a fazer o exame e como tirar bons proveitos para a vida.
No Ano A do ciclo litúrgico, a Igreja apresenta um conjunto de leituras extraídas dos evangelhos profundamente ligadas ao processo catecumenal: a Samaritana, o Cego de nascença e a Ressurreição de Lázaro. Esses textos, tradicionalmente associados à preparação dos catecúmenos, adultos em catequese, que receberão os sacramentos da Iniciação Cristã na Vigília Pascal, revelam a dimensão batismal da Quaresma. Toda a comunidade é chamada a renovar as promessas batismais, assim enfatiza a vida cristã como um caminho contínuo de conversão, iluminação, santificação.
A teologia quaresmal, principalmente no caminho catequético de preparação dos catecúmenos, ilumina e reforça a dinâmica pascal: morrer para o pecado e ressurgir para uma vida nova em Cristo. A catequese da Igreja insiste que a penitência não é um fim em si mesma, mas um caminho de libertação interior, direcionado para a alegria pascal. Assim, a espiritualidade quaresmal não se reduz a práticas exteriores, mas implica transformação concreta da vida: reconciliação, responsabilidade com a Igreja, “cuidado com a casa comum”, compromisso com os pobres e esperançar a vida.
Para a vivência prática da Quaresma pelas das comunidades, são oferecidos um texto base da Campanha da Fraternidade, retiros, celebrações penitenciais, vias-sacras, campanhas de solidariedade e maior participação na escuta da Palavra de Deus. A própria liturgia dominical assume caráter mais contemplativo e catequético, ajudando os fiéis a compreenderem progressivamente o mistério da salvação que culminará na Semana Santa, especialmente o Tríduo Pascal. O católico nunca deveria deixar de participar com a família desses momentos e principalmente do Tríduo que tem sua culminância no sábado de Aleluia, a Celebração mãe de todas as celebrações.
Inspirados pelos Exercícios Espirituais, muitos fiéis vivenciam esse período como um tempo privilegiado de oração mais profunda, de contemplação dos evangelhos e revisão de vida, procurando “ordenar os afetos” e organizar as próprias decisões iluminadas pelo Evangelho e discernindo a Vontade de Deus. “Ser mais para os demais”. Dentro deste espírito, destaca-se também o Retiro Quaresmal oferecido anualmente pelos jesuítas. Ele propõe aos participantes um itinerário semanal de oração, meditação, contemplação da Palavra de Deus, especialmente o evangelho da liturgia diária, promovendo um exercício constante de discernimento, permitindo que a experiência quaresmal seja vivida como um caminho progressivo de conversão pessoal e comunitário. Assim, a espiritualidade inaciana, tão própria do Colégio Anchieta, que celebra “140 anos de história para contar e aprender”, cria uma unidade com a Campanha da Fraternidade e a pedagogia litúrgica da Igreja, ajudando a transformar o tempo quaresmal em um verdadeiro caminho de crescimento humano, espiritual e de compromisso concreto com a vida cristã.
Percebemos que a Quaresma constitui um verdadeiro caminho pedagógico para os fiéis da Igreja: um tempo de graça no qual a comunidade cristã, acompanhada pelo Evangelho, pela liturgia e pela prática da caridade, prepara-se para renovar sua fé na Páscoa do Senhor, redescobrindo a alegria de viver reconciliada com Deus e comprometida com a transformação do mundo: “Ser mais para e com os demais”.
Por Pe. José Carlos Ferreira, Orientador espiritual





